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Canabinóides são indicados no tratamento de estresse pós-traumático


Enquanto o Brasil está prestes a retroceder sua política anti-drogas a níveis praticamente medievais, o mundo esclarecido lá fora não para de descobrir novos usos terapêuticos para a maconha. Dessa vez são os portadores do chamado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) que podem se  beneficiar com a paz oferecida pela erva de Jah.

Segundo um novo estudo realizado pela New York University School of Medicine, com apoio do National Institute of Health, há uma evidente conexão entre a quantidade de receptores de canabinóides no cérebro e os efeitos do estresse pós-traumático.

Com isso, espera-se que seja criada a primeira medicação específica para a doença, que consiste numa condição psicológica crônica que atinge vítimas de traumas diversos, incluindo sintomas como pesadelos, instabilidade emocional, dificuldades de relacionamento e flashbacks. 

Publicado originalmente na revista Molecular Psychiatry, o estudo foi o primeiro a usar imagens do cérebro comprovando que pacientes com TEPT possuem menor concentração de anandamida, um dos endocanabinóides que liga-se aos receptores conhecidos como CB1. A pesquisa avaliou 60 indivíduos divididos em três grupos distintos: aqueles que foram efetivamente diagnosticados com TEPT, aqueles que tiveram uma história de trauma, mas sem TEPT e, por fim, quem nunca tinha passado por nenhum dos problemas.

Os exames constataram que os pacientes com TEPT, especialmente as mulheres, têm mais receptores CB1 nas partes de seus cérebros ligadas ao medo e ansiedade do que aqueles que não sofrem da síndrome. Indivíduos com TEPT também apresentaram níveis mais baixos de anandamida, o que acarreta aumento no número de receptores CB1.

A conclusão é que o uso de canábis – ou de medicamentos ricos em canabinóides – pode ajudar a aliviar alguns dos problemas associados ao transtorno na medida em que equilibra os receptores CB1, reduzindo significativamente o estresse, a ansiedade e o medo que muitos pacientes relatam. “Não há um único tratamento farmacológico desenvolvido especificamente para essa doença”, disse o pesquisador Alexander Neumeister, principal autor do estudo. “Isso é um problema, pois há um consenso entre os médicos que tratamentos farmacêuticos existentes, como antidepressivo, não funcionam”, completa. Mas, segundo ele, já há inúmeras observações informais que indicam que os portadores de TEPT costumam encontrar mais alívio ao consumir maconha do que ao tomar antidepressivos.

Fonte: Molecular Psychiaty

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