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Prestes a virar longa-metragem, “O Bolo” quer legalizar o cinema nacional


Lançado em 2010, o curta-metragem “O Bolo” caiu na rede apenas em agosto de 2013, após acumular participações em festivais internacionais de cinema, incluindo quatro prêmios de melhor filme segundo o júri popular em mostras de Nova York, Miami, Buenos Aires e São Paulo. Com roteiro e direção de Robert Guimarães, a obra se baseia numa antiga lenda urbana: a daquela pessoa desavisada que consome, por engano, o bolonha da geladeira alheia.CARTAZ O BOLO

No caso, quem come o bolo de maconha é a incauta Dirce, uma doméstica recatada & evangélica que, ao arrumar a casa do patrão bonitão, decide experimentar o space cake coberto de chocolate que está na geladeira. O resultado não poderia ser mais cômico – embora um tanto exagerado, pois quem já ingeriu qualquer produto a base da erva sabe que os efeitos estão longe de ser como os retratados no curta (que está muito mais pra uma viagem de LSD com ecstasy).

Montagem O Bolo Baixa

Exageros e estereótipos à parte, “O Bolo” é um curta que vale a pena ser conferido durante o #momento420. Destaque para a produção super cuidadosa e o elenco, que conta com nomes como Fabíula Nascimento, Eriberto Leão e Catarina Abdala. A trilha sonora também foi acertada, com ênfase em clássicos de Tim Maia, a exemplo de “Chocolate”, uma verdadeira ode ao haxixe.  A principal aposta do projeto foi unir um roteiro bem estruturado a interpretações espontâneas embaladas pelo humor leve. A escolha dos atores foi determinante para ‘O Bolo’ ganhar os ingredientes certos para esta receita ficar deliciosa e bater!”, diverte-se o diretor.

Assista “O Bolo” e confira a entrevista com Robert Guimarães

A seguir você acompanha um bate-papo com Robert Guimarães, que conta como surgiu a ideia de fazer o filme e revela seus planos para o futuro, que incluem transformar o curta num longa que promete legalizar o cinema nacional.

MaryJuana: Como surgiu a ideia de fazer o curta? Após um space cake, talvez? rs

Robert Guimarães: A ideia de fazer o curta surgiu a partir de uma lembrança de um fato que ocorreu com um amigo meu (foi com o amigo mesmo..rs). Na época, nos anos 1980 participamos de uma festa de aniversário, na qual este amigo ganhou de presente um BOLO DE HEMP. Todos nós comemos, curtimos horrores a festinha e no dia seguinte o meu amigo foi acordado pelo porteiro do prédio avisando que a empregada estava passando muito mal na portaria. O meu amigo correu com ele para o hospital sem saber o que ela tinha e foi informado pelo médico que ela estava com overdose de THC, só ali o meu amigo se deu conta que ela tinha comido O BOLO. Quando ele me contou na época eu disse: isso é um filme! Os anos se passaram e quando eu me vi na necessidade de fazer um curta esta divertida lembrança me visitou e eu não resisti e fiz ”O BOLO”.

MJ: Quanto tempo levou até a produção ser concluída?

RG: Foi tudo muito rápido. Do dia que eu escrevi o roteiro, até o início das filmagens, foram dois meses. Filmamos em cinco dias e finalizamos em dois meses.

MJ: E quando exatamente o curta foi lançado? 

RG: Tínhamos como meta participar do Festival do Rio em 2010, e conseguimos. Depois participamos de vários festivais e somente em agosto de 2013 lançamos na web (UOL e Youtube). Em menos de 2 meses mais de 130 mil pessoas já tinham assistido o curta.

MJ: O curta vai virar um longa? Pode nos adiantar a sinopse e mais detalhes desse projeto? Qual a previsão de lançamento?

RG: Sim, “O Bolo” vai ganhar a versão longa-metragem com filmagens previstas para 2014. Estamos em fase de tratamento de roteiro e captação de recursos. A história do longa  tem como ponto de partida o curta, e será permeado de muita comédia em torno dos efeitos do bolo, que assim como ocorreu com a doméstica, irá provocar reações diferentes em vários outros personagens garantindo muita confusão. Vamos fazer “O Bolo” bater geral!

MJ: Qual sua opinião a respeito da legalização da maconha no Brasil? 

RG: Sou a favor das liberdades individuais de modo geral. O cidadão adulto tem o direito a fazer as suas escolhas. Salve a liberdade!