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Conheça a história do Polígono da Maconha


Em 1867, o escritor, cientista, explorador e capitão inglês sir Richard Francis Burton percorreu o Rio São Francisco de Minas Gerais até a sua foz, em Sergipe. E, nas suas margens, visando às valiosas fibras do cânhamo, identificou condições ideais para a plantação de Cannabis. Cerca de um século depois, curiosamente, nascia ali o Polígono da Maconha!

Os registros de plantações e do consumo social de maconha feitos pelo médico neurologista pernambucano Jarbas Pernambucano, nos anos 1930; e pelo sociólogo americano Donald Pierson, nos anos 1950; comprovam a antiga presença da maconha no Polígono formado por 13 cidades de Pernambuco e da Bahia, na região do Baixo e Submédio São Francisco.

O Polígono da Maconha inclui 13 cidades do sertão pernambucano e baiano. Ao norte, desponta outro polo produtor de cannabis no Maranhão e Pará.

O Polígono da Maconha inclui 13 cidades do sertão pernambucano e baiano. Ao norte, desponta outro polo produtor de cannabis no Maranhão e Pará.

No entanto, em 1946, a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE), criada em 1936 e regulamentada pelo Decreto-Lei nº 891/38, promoveu o Convênio Interestadual da Maconha, em Salvador. O relatório final aprovado, entre outras coisas, diz: destruição das plantações de maconha, limitada a sua produção para fins médicos ou industriais.

Apesar disso, nos anos 1970, a fim de atender uma crescente demanda, a região começou a fornecer maconha às principais capitais brasileiras. Razão pela qual, passou a ser chamada, pejorativamente, de Polígono da Maconha.

Nos anos 1990, consolidou-se como a principal fornecedora de maconha do Brasil, inclusive com as lendárias estirpes de sativas “Manga Rosa”, “Cabeça-de-nego” e “Cabrobó”.

Repressão

A partir daí, a repressão foi aumentando cada vez mais, culminando no final de 1999 na Operação Mandacaru, que utilizou 1.200 militares das Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Bombeiros e Polícias Militares da Bahia e Pernambuco, ao custo de R$ 7.500.000,00.

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Ao final da Operação, o general Alberto Cardoso e outras autoridades governamentais se vangloriavam referindo-se à região como “antigo polígono” ou “ex-polígono da maconha”.

Todavia, em 2004, segundo o pesquisador Jorge Atílio Silva Iulianelli, o Ministério Público do Trabalho do Estado de Pernambuco estimava que a mão de obra utilizada no Polígono da Maconha era de 40 mil trabalhadores.

Diante disso, as operações da Polícia Federal foram intensificadas e muitos plantadores deslocaram-se para outros estados, principalmente para o Pará e o Maranhão. No Polígono, a fim de dificultar o acesso policial, passaram a cultivar nas áreas de Caatinga e nas ilhas do Rio São Francisco.

Segundo o sociólogo e professor Paulo Cesar Pontes Fraga, o Polígono da Maconha ainda atende cerca de 40% do mercado brasileiro.

Ilegal e com a Polícia Federal fazendo operações a cada três meses, a qualidade da maconha do Polígono fica muito longe do ideal. Mas sem sombra de dúvidas, é bem melhor do que a maconha prensada paraguaia, principal beneficiada pelo “sucesso” das caríssimas operações “enxuga gelo” da Polícia Federal!

*Por Ubirajara Ramos, auditor fiscal e autor do livro Tá todo o mundo enganado!