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FHC: mocinho ou bandido?


Hoje presença constante em reuniões de movimentos pela legalização da maconha, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já cometeu grandes erros em sua política de drogas. É mais ou menos como se alguém matasse uma pessoa e fosse no velório da mesma dizendo para a família que é capaz de ressuscitá-la!

Sob seu comando, policiais foram colocados para combater as drogas de forma ferrenha. Muito dinheiro foi investido em repressão. E com uma remuneração baixíssima os combatentes encontram motivos para ficarem mais duros.

O dinheiro investido na guerra às drogas nos deu de “presente” uma guerra civil sem fim – até porque o combate em si faz mais propaganda das drogas do que os próprios traficantes.

Lógica cruel

Toda essa proibição também só fez com que os traficantes ampliassem seus estoques de armas e drogas, ganhando cada vez mais poder.

A proibição não anula a demanda das pessoas pelo consumo recreacional. E essa demanda só aumenta. A disponibilidade está cada vez maior.

Com dinheiro de sobra, as organizações criminosas assumiram o controle de comunidades e passaram a exercer seus governos e expandir seus domínios de dentro dos presídios. Conseguiram armas mais poderosas do que as da própria polícia.

A hipocrisia de FHC

Devemos ter cuidado com as ideias que compramos. Por que o FHC não liberou quando era presidente? Isso é desonesto. Uma espécie de faísca atrasada que não tem efeito nenhum. O documentário “Quebrando o Tabu”, no qual o ex-presidente aparece, lançado em 2011 fala sobre o combate às drogas, mas ignora o usuário que faz uso recreativo.

A certa altura do filme, FHC diz: “uma pessoa que fuma maconha de manhã cedo tem sérios problemas psicológicos”.

Ora, as pessoas fumam a hora que quiserem! Esses neoliberais defendem tanto as liberdades individuais, mas quando se trata de um hábito pessoal que faz as pessoas pensarem, já vão logo dando palpite.

Fumar maconha é normal. Existem pessoas que fumam todo dia e outras que fumam apenas uma vez por ano. Não existem regras.

Quem cria uma lei para te derrubar e depois usa a mídia para dizer que é seu amigo é que deve ter sérios problemas psicológicos.

Precisou fazer 80 anos e encerrar dois mandatos como presidente pra entender que a guerra às drogas destrói seres humanos? E fala que não fez nada antes “porque não sabia”?

Isso não quer dizer que Fernando Henrique não tenha seus méritos por ter defendido a legalização da maconha. Ele fez – e faz – a cabeça de retrógrados e conservadores.

Mas, além dos pensamentos, são nossas atitudes que possuem a capacidade de modificar a realidade. E, na década de 1990, quando FHC abraçou a guerra às drogas, ele trouxe muitas perdas para a causa canábica no Brasil.

Aproveitadores da causa

Procure saber quem luta pela causa da maconha realmente – e há quanto tempo luta. Pessoas que começam a mostrar serviço apenas em períodos eleitorais são sempre duvidosas. O quanto elas estão realmente dispostas a lutar por nós?

Cuidado com as pessoas que abordam o tema superficialmente e se aproveitam de nossa boa vontade por causas próprias. Sinto o cheiro de intenções escondidas que vão muito a favor dos interesses do capital e pouco a favor dos interesses do povo.

Nosso debate está aparecendo cada vez mais no país. Chegará uma hora em que todo o povo que geralmente é ludibriado por estes mentirosos irá acordar. Até mesmo os fanáticos e conservadores.

Brasília terá que parar de nos ignorar. Vamos tirar o costume de fazer contato com uma planta do grupo dos crimes hediondos. Vamos respeitar a natureza.

Chega de distorcer a imagem do verde. Ignorem quem só quer pegar carona no nosso sucesso. Tirem a polícia do caminho das pessoas de bem.

Vamos entregar a receita desse mercado para o nosso próprio governo ao invés de continuar enriquecendo o império dos narcotraficantes que às escuras são aliados dos poderosos.

Está na hora dessa guerra acabar. Vamos devolver a vida digna que as pessoas honestas merecem. Toda essa proibição gerou apenas drogas mais potentes e o crime organizado ficou mais lucrativo.

Chegou a hora de dar menos audiência a quem esteve lá e fez tudo errado e continuar respeitando as pessoas de bem que aliviam suas tensões utilizando a natureza.

Que o mundo tenha mais honestidade e mais sinceridade. Vamos nos unir às pessoas que realmente nos representam.

*Por Rodrigo Filho∴, escritor e ativista

**Foto: Revista Trip