CONTEÚDO JORNALISTÍCO PARA MAIORES DE 18 ANOS
Home > NOTÍCIAS > BRASIL > Laboratório brasileiro importa 10 kg de maconha para fazer remédio

Laboratório brasileiro importa 10 kg de maconha para fazer remédio


A maré nunca esteve tão favorável ao surgimento do mercado legalizado de maconha no país.

Para a start-up Entourage Phytolab, o motivo de comemoração é a chegada de uma aguardada encomenda: 10 kg de maconha.

A carga, que vale cerca de R$ 200 mil, é composta de flores de plantas do gênero Cannabis ricas em canabidiol (CBD). O composto tem sido utilizado para tratar crises epilépticas e remédios à base da molécula têm sido importados por meio de uma regra especial para alguns casos graves.

O problema, diz Caio Santos Abreu, diretor-executivo da Entourage, é que ainda existe insegurança no fornecimento, que pode ser caro. Além disso, a oferta nem sempre é garantida.

Anvisa

A ideia da empresa é ocupar esse vácuo. As condições legais para os testes estão amparadas por normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), recém-criadas após pedido da GWPharma, que produz o medicamento Sativex, que está em fase final de registro pela agência e que deve chegar ao país com o nome de Mevatyl.

O que a Anvisa fez para mudar o cenário canábico no país foi autorizar que dois dos princípios ativos da maconha possam aparecer até a concentração de 30 mg/ml no medicamento final.

THC

Além do CBD, a outra molécula que agora pode ser prescrita é o THC (tetra-hidrocanabinol), que tem potencial para aliviar enjoos de quimioterapia, dores e espasmos musculares, mas que possui efeitos psicotrópicos.

Outro fato que mostra o bom momento para os entusiastas da erva é a aprovação de regras para uso medicinal da Cannabis pela Câmara dos Deputados da Argentina.

Cultivo caseiro

No Brasil, uma decisão da Justiça do Rio determinou que um casal não poderá ser preso por plantar maconha em casa com a finalidade de tratar sua filha, que tem síndrome de Rett e sofre com o grande número de convulsões.

A onda pró-canábica aparece também no mercado financeiro. O preço de uma ação da Canopy Growth, que forneceu as flores para a Entourage, foram de 3,20 dólares canadenses (cerca de R$ 8) em julho e chegaram a valer 11,72 dólares canadenses (R$ 29,41) nesta quinta (24).

A Entourage e a Bedrocan Brasil, empresa responsável pela importação da matéria-prima (ambas comandadas por Abreu), receberam investimento de US$ 3 milhões.

O montante deve ser suficiente tanto para iniciar a extração, padronização e formulação do candidato a novo medicamento (em parceria com um laboratório ainda não divulgado), quanto para iniciar os testes clínicos com pacientes –crianças com síndromes raras e que não respondem a outros medicamentos.

*Fonte: Folha de São Paulo