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Terapia psicodélica reduz ansiedade e depressão em pacientes com câncer


Após superar muitos tabus e burocracias, os cientistas norte-americanos começam a avançar na pesquisa sobre terapia psicodélica. E os estudos que começam a surgir sinalizam descobertas importantes para a área da saúde mental. 

Objeto de estudo de duas pesquisas lançadas no dia 1 de dezembro, a psilocibina – substância alucinógena encontrada nos cogumelos “mágicos” – parece ter a capacidade de aliviar a ansiedade e a depressão em pacientes com câncer.

Publicadas no Journal of Psychopharmacology, ambas as pesquisas partiram da combinação do uso controlado de psilocibina com sessões de psicoterapia.

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Em um deles, realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, 51 pacientes com câncer receberam duas doses da substância psicodélica num intervalo de 5 semanas, sendo uma das doses relativamente alta, enquanto a outra era tão baixa que seria incapaz de produzir efeito.

Já no segundo estudo, comandado por uma equipe médica da Universidade de Nova York (NYU), 29 pacientes com câncer receberam aleatoriamente psilocibina ou niacina (composto que imita alguns efeitos colaterais físicos da psilocibina, como uma certa sensação de calor, porém sem propriedades alucinógenas).

Dos participantes que receberam a verdadeira psilocibina no segundo estudo, 83% relataram sentir significativamente menos depressão e 58% relataram menos ansiedade após sete semanas. Apenas 14% dos que receberam niacina relataram menos ansiedade e depressão.

Efeitos duradouros

Nas duas experiências, os benefícios da psilocibina mostraram-se presentes meses depois. Nos dados aferidos pela equipe da Universidade Johns Hopkins, por exemplo, cerca de 60% dos participantes ainda apresentavam níveis normais de depressão e ansiedade após 6 meses.

“Os resultados são impressionantes, com bons dados de segurança (…) Meu sentimento é que esses estudos terão um papel significativo no despertar científico e médico para o potencial terapêutico dos psicodélicos”, declarou Dr. Robin Carhart-Harris, especialista em drogas psicodélicas no Imperial College de Londres.

Medo da morte

Nos casos de câncer terminal, a terapia psicodélica permitiu que as pessoas aceitassem suas mortes iminentes e sofressem menos, afirma Roland Griffiths, que liderou o estudo da Universidade Johns Hopkins. “Há algo sobre essas experiências que permite que as pessoas vejam seu processo de doença a partir de um escopo muito maior”, disse ele.