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França vive a febre dos coffeeshops de maconha


Em um momento em que os franceses se mostram cada vez mais favoráveis à legalização da maconha, dois jornais destacam nesta segunda-feira (11/6) a abertura de vários coffeeshops na França.

No país, que proíbe a plantação e a comercialização da planta, mas tem o maior consumo da Europa, o governo também dá mostras de abertura sobre a questão, começando a avaliar, inclusive, as propriedades medicinais da cannabis.

“A febre da cannabis legal chega à França” é a manchete do jornal Les Echos. Os pioneiros da comercialização de produtos que contêm maconha começam a dar os primeiros passos na França, abrindo lojas em Paris e em algumas cidades do interior, como Besançon ou Estrasburgo.

O diário lembra que a venda é possível porque, desde novembro, uma brecha na lei permite que derivados da maconha possam ser comercializados, com a condição de que tenham uma taxa de THC – principal componente ativo do cannabis – inferior a 0,2%. Desde então, chás, óleos, líquidos para cigarros eletrônicos, balas e biscoitos contendo essa pequena quantidade de maconha estão sendo comercializados legalmente no país.

Segundo o jornal econômico Les Echos, a França conta hoje com cerca de 20 estabelecimentos exclusivamente dedicados à comercialização de produtos derivados da maconha e a clientela aprova a iniciativa. Entrevistados pelo diário, os proprietários dessas lojas contam que seus clientes, de todas as faixas etárias, estão interessados na compra legal do produto, geralmente em busca de uma alternativa para calmantes ou analgésicos.

Maconha “light

“É a febre dos coffeeshops”, diz a manchete do jornal Aujourd’hui en France. O diário explica que as lojas que comercializam derivados da maconha oferecem produtos com baixo nível de THC, mas também contendo CBD – o canabidiol – o que caracteriza uma “maconha light” e sobre a qual a literatura científica atesta, inclusive, efeitos anestésicos e relaxantes.

A vantagem, segundo o Aujourd’hui en France, é que o CBD não tem efeito psicotrópico, mas age, sobretudo, como um tranquilizante. Entrevistado pelo jornal, o psiquiatra Laurent Karila, especialista em dependência, diz que alguns de seus pacientes, viciados em cocaína e maconha, utilizam esses produtos ricos em CBD para diminuir o consumo e a dependência de substâncias ilegais.

Puro comércio, saúde ou evolução comportamental, os franceses se mostram cada vez mais favoráveis à legalização da maconha. Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira no site da rádio France Info aponta que 51% da população está de acordo com o consumo da cannabis por adultos. 91% acreditam que a substância pode ser prejudicial à saúde, mas é menos perigosa do que o cigarro e pode ser tão nociva quanto o álcool.

*Fonte: RFI

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