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Maconha é luta, criatividade e diversidade!


Em comemoração ao mês do orgulho LGBT, o Maryjuana traz um artigo especial para mostrar que as culturas canábica e LGBT têm mais a ver do que você esperava!

O mês de junho foi escolhido como o mês do Orgulho LGBT em referência ao evento conhecido como Stonewall riots, que ocorreu no final de junho de 1969 nos Estados Unidos. A Stonewall riots foi uma série de manifestações de membros da comunidade LGBT contra uma batida policial que ocorreu na madrugada de 28 de junho de 1969 no Stonewall Inn, um bar gay localizado em Manhattan, Nova York.

Essas manifestações são consideradas o evento mais importante que levaram ao movimento de liberação e à moderna luta pelos direitos da comunidade LGBT nos Estados Unidos.

(Esq.) Uma das manifestações de Stonewall riots. (Dir.) Stonewall Inn atualmente.

LUTA

E também foi nos Estados Unidos que teve início o movimento a favor da maconha medicinal. E adivinhem onde? Sim, dentro da comunidade LGBT! O movimento a favor do acesso mais amplo à maconha medicinal teve início nos anos 80.

Naquela época, os pacientes que queriam adquirir maconha legalmente tinham que solicitá-la ao governo. Se o pedido fosse aceito, o paciente era incluído em um programa de uso compassivo, e recebia latas com cerca de 300 baseados de maconha congelados para o tratamento de sua doença.

A maconha oferecida aos pacientes era cultivada pelo próprio governo americano com o intuito de ser utilizada em pesquisas científicas. Apesar do grande potencial medicinal da planta, e do grande número de pessoas que poderiam ser beneficiadas, menos de 15 pacientes foram aceitos no programa de uso compassivo.

Lata com aproximadamente 300 baseados de maconha disponibilizada pelo programa de uso compassivo do governo americano.

Em 1981, médicos americanos identificaram os primeiros casos de AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome) em grupos de jovens gays de Los Angeles, Nova Iorque e São Francisco. A doença, causada pelo vírus HIV (Human Immunodeficiency Virus), tem o potencial de causar caquexia, uma condição caracterizada pela perda de peso, atrofia muscular, fadiga, fraqueza e perda de apetite.

Os pacientes com AIDS, a maioria pertencente à comunidade LGBT, logo perceberam que a maconha era muito útil no combate aos sintomas da doença, especialmente a falta de apetite e a náusea e vômito provocadas pelo medicamento utilizado no combate ao HIV, o AZT (azidotimidina).

A informação rapidamente se espalhou pela comunidade, o que causou uma explosão dos pedidos para uso compassivo da maconha para tratamento da AIDS. Porém, em resposta ao grande aumento de pedidos de maconha, e no auge da epidemia, o governo americano encerrou o programa de uso compassivo.

Casos de AIDS, mortes por AIDS e pessoas vivendo com AIDS nos Estados Unidos entre 1981-2003. Durante a última década, o número de novos casos de AIDS e mortes devido à AIDS diminuiu, enquanto o número de pessoas que vivem com a doença aumentou, em grande parte devido a melhorias no diagnóstico e tratamento (Fonte: wwwnc.cdc.gov).

Membros da comunidade LGBT logo se organizaram para lutar pelo direito de acesso à maconha medicinal. Uma das figuras mais importantes neste cenário foi Dennis Peron, ativista gay-canábico. Peron foi o principal responsável pela aprovação da Proposition P em 1991, que permitia o uso medicinal da maconha no estado da Califórnia.

Posteriormente, os estados do Alaska, Oregon e Washington seguiram os mesmos passos e também desenvolveram programas de acesso à maconha medicinal. Sucesso!

Dennis Peron (dir.), figura proeminente na comunidade LGBT de São Francisco e considerado “pai da maconha medicinal” na Califórnia.

CRIATIVIDADE

Aos poucos, e quase lado a lado, as comunidades LGBT e canábica vão garantindo seus direitos. E mesmo em meio à tanta luta, ainda há espaço para muita criatividade e bom-humor, características marcantes de ambas as culturas. E melhor ainda quando encontramos tudo-em-um, como na drag queen Laganja Estranja.

Laganja Estranja é o nome artístico de Jay Jackson, uma drag queen americana, coreógrafa e ativista canábica. Laganja ficou mais conhecida depois de participar da sexta temporada do programa RuPaul’s Drag Race. A drag, além de ser ativista, também está inserida no business canábico. Atualmente, Laganja colabora com a marca Hepburns, com a qual criou o baseado LAhepburns, aditivado com hash extraído sem solventes para celebrar especificamente o orgulho LGBT.

Laganja Estranja, seus outfits canábicos e a célebre frase “Porque se não é verde, eu não estou interessada okayyy”).

MAIS QUE DIVERSIDADE

Além de ser símbolo de luta e induzir a criatividade, a maconha também pode promover a diversidade. Já ouviu falar dos highsexuals? Pois bem, o termo highsexual (high = chapado) se refere aos heterossexuais que sentem atração pelo mesmo sexo quando estão chapados. O termo já está até descrito no Urban Dictionary. Tudo provavelmente começou em um fórum online quando um dos usuários resolveu tirar uma dúvida:

E ele não estava sozinho! Logo apareceram outras pessoas relatando o mesmo efeito em diferentes intensidades e em outras orientações sexuais:

“O mesmo aqui cara! Eu não acho que seja temporário, mas eu também não acho que sou gay ou bi”.

“Eu sou bissexual. Eu sinto atração principalmente por caras, mas quando eu fumo minha atração por mulheres aumenta. Então, é o seu oposto. Eu apenas aceitei. Cara, aproveite sua vida e apenas seja você”.

“Eu sou gay e me sinto mais heterossexual quando estou chapado”.

“Sim, também tenho isso. A maconha parece quebrar algumas barreiras para mim. Eu definitivamente exploro meu lado gay latente quando estou chapado. A sexualidade não é estática, ela muda e, o que você gosta hoje pode mudar no futuro. Sexualidade é fluida. Apenas faça o que te faz feliz!

Toda esta discussão ocorreu em um fórum sobre drogas. E, para que esperava uma avalanche de bullying, está aí a amostra de que maconha é luta, criatividade, diversidade e também amor ao próximo.

*Por Lia Esumi: Bióloga, MS/PhD em Psicobiologia e colaboradora no Maryjuana.

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