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Cores e rimas em prol da legalização da maconha na arte de Daniel Disaró


Sprays e tintas coloridas foram as ferramentas que o santista Daniel Disaró adotou para ingressar na luta pela legalização da maconha no Brasil. Mais conhecido como Vela420, o publicitário de 28 anos se auto-intitula um “weeDesigner” por dar vida a buds, cogumelos, flores e outras criaturas que parecem emergir de uma trip alucinógena qualquer. Versátil, ele transforma paredes, painéis, quadros, camisetas, latarias de caminhões e brinquedos em suporte para sua arte.

Mais conhecido como Vela420, Daniel Disaró se auto-intitula um “weeDesigner”.

Muito mais do que um rostinho bonito na cena canábica – afinal, cabe dizer aqui, ele é um gateenho – Daniel também possui sua própria grife de camisetas e bonés – a 4:20 – e solta a voz e o verbo em músicas que falam sobre ganja, preconceito e a vida lôca em geral.

Em parceria com MC Rastaman, Vela dá vida ao grupo de rap Seiva Roxa.

Em parceria com MC Rastaman, o grupo de rap Seiva Roxa foi batizado em homenagem a uma das strains favoritas dos músicos, a deliciosa purple haze.

Acompanhe a seguir o bate-papo virtual, em que Vela fala mais sobre arte canábica no Brasil, suas influências, preconceitos, legalização e as relações entre artes visuais e ativismo – ou artivismo.

MaryJuana: Você é formado em Publicidade e Propaganda. Como surgiu a vocação para as artes plásticas?
Vela: Foi um processo natural. Sempre apreciei as artes visuais e comecei a me arriscar. Resolvi dar continuidade conforme percebi o feedback cada vez mais positivo.

MJ: A canábis sempre teve influência no seu trabalho? Como surgiu a ideia de misturar erva e arte?
V: Eu sempre curti fumar um, mas foi a partir de 2001 que comecei a seguir essa linha de trabalho. Eu gosto de misturar maconha e arte pois, além da erva ter uma linda imagem, essa é mais uma forma de protestar e abrir espaço para discussões em prol da legalização.

MJ: Quais técnicas você utiliza nos teus trampos?
V: Utilizo praticamente todos os tipos de tinta, de acordo com a superfície, que é sempre variada. Nas ruas geralmente uso látex e spray. Já nas pinturas corporais, costumo mixar tintas acrílicas e à base de água, entre outras atóxicas.

MJ: E a carreira musical? Quando começou?
V: Como tudo que eu faço, começou despretensiosamente, mas acho que por fazer por amor, isso acaba sendo passado nas mensagens em forma de arte, seja visual ou sonora. Eu componho faz tempo, apesar de ter pouca coisa gravada ainda, mas tenho muitas letras escritas Cresci no meio do rap graças à cultura hip hop, eventos de grafite e tal, então foi uma coisa levando à outra.

MJ: Pra viajar, que tipo de som vc curte ouvir?
V: Gosto muito de rap nacional e de umas regueiras, mas escuto também muita MPB e umas músicas mais brisas como Teatro Magico.

MJ: Na sua opinião, qual a importância das manifestações artísticas para a legalização da maconha no Brasil?
V: Acho tao importante quanto qualquer outra forma de manifesto, mas a arte e a música atingem o coração e a mente das pessoas de uma forma diferente e especial, além de serem mais duradouras.

MJ: Como você definiria a arte canábica no Brasil? Como é a aceitação? Quais as dificuldades ou preconceitos que vc já sofreu?
V: Hoje com a internet tem bastante gente que acaba usando essa influência, mas arte canábica como SEGMENTO ARTÍSTICO em si praticamente não existe por aqui ainda. Até hoje sofro muito preconceito em relação a isso, mas – também graças à web – comecei a ter muito mais aceitação e admiradores do meu trabalho no Brasil e exterior. Mas o preconceito continua sendo diário, desde dentro da minha casa, até da namorada que tem vergonha do que a família pode pensar e falar. Só que isso nunca me incomodou de fato, pelo contrário, só me da mais força pra continuar seguindo e levando minha arte para onde quer que eu vá!

MJ: Como é seu processo criativo?
V: O processo é natural e espontâneo, surge de acordo com o momento, com a superfície a ser pintada e com toda energia em volta. Mas gosto de fumar um antes e de preferência ouvir uma boa música pra dar trilha ao momento.

MJ: Qual sua preferência: no bong, na seda ou no pipe?
V: Bongadinha matinal, não tem preço! Mas não troco um cigarrão da massa por nada!

MJ: Indica, sativa ou haxixe?
V: Depende da hora do dia. Eu sou uma pessoa muito ansiosa, então a Indica me mantém num estado mais estabilizado pra poder fazer as coisas com calma. Mas uma Sativa pra ir fazer um esporte, sair na night acho melhor. Já o hash pode chegar a qualquer momento, de preferência sem tabaco =)

MJ: Quais suas reais expectativas sobre a legalização da canábis no Brasil?
V: Acredito que nunca estivemos tã próximos da descriminalização no nosso pais e muita coisa está começando a mudar pra melhor ! Com a autorizaçao das marchas pelo STF, por exemplo, ganhamos muito mais espaço para colocarmos nossos argumentos e derrubarmos paradigmas e estereótipos colocados em cima da maconha e dos maconheiros. Mas agora precisamos de paciência para esperar toda a BURROcracia do nosso pais e confiar que a Justiça e a Liberdade vão chegar!