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Gafes canábicas (ou Pequeno Manual MaryJuana de Etiqueta Canábica)


Espalhe a boa !
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Que não se enganem os incautos canabistas: fumar um vai muito além da ladainha do “acende, puxa, prende & passa”. Entre um pega e outro, ao apertar & acender, há todo um ritual que se desenvolve durante o consumo da erva.

Embora sejam informais e descontraídas, as populares “rodas” seguem regras sutis com o objetivo de organizar e otimizar o momento sagrado de fazer a cabeça em grupo.

Para ajudá-lo a não vacilar, segue abaixo a relação das oito gafes canábicas mais comuns e irritantes de todos os tempos. Fique atento a este singelo manual de etiqueta 420 para não pagar mico na próxima vez que fumar um com os amigos.

1) Boca de jacaré

boca

Para quem ainda não sabe, o popular “jacaré” consiste na queima irregular do baseado, o que pode ocorrer por diversos motivos, sendo o principal deles a má trituração da erva – portanto, redobre a atenção na hora de dichavar. Outro momento oportuno para a formação dos “jacarés” ocorre ao acender o beque. É preciso manejar o isqueiro com destreza, aproximando-o do cigarro com a precisão necessária para que a brasa queime de modo uniforme. Controle ainda a empolgação: tragadas muito intensas, abruptas ou profundas também podem desencadear o trágico fenômeno.

* Como lidar: se jacarezou, a melhor opção é queimar a parte que está “sobrando” para uniformizar a superfície da brasa. Posicione a brasa para baixo e vá tragando suavemente ou, se preferir, queime o que está sobrando com o isqueiro até igualar novamente.

2) Babar no baseado

babar

 

Que atire a primeira pedra de prensado quem nunca babou ou ficou com nojinho ao pegar um baseado babado na roda. A mais nojenta das gafes canábicas é também uma das mais comuns. No entanto, não há nenhuma evidência científica de que a maconha cause aumento da salivação – pelo contrário, afirma-se um dos efeitos colaterais da erva é justamente a inibição da produção de saliva, ocasionando a fatídica sensação de “boca seca” que todo canabista conhece muito bem. Ou seja: babar é imperdoável!

* Como lidar: se um baseado babado cair na sua mão, só lhe restam duas opções: passar para a frente ou fumá-lo segurando-o firmemente, de forma que a boca não toque a seda babada, mas sim seus próprios dedos.

3) Microfone

microfone

Poucos maconheiros são tão chatos quanto aqueles que se “apropriam” do baseado e ficam viajando com o beque na mão, fumando praticamente sozinhos e alheios ao flow da roda. Geralmente são os mesmos que falam sem parar e, por este motivo, a gafe é chamada de “microfone”. Mas há também quem prefira definir esses chatos como “delegados”, pois cabe a eles “soltar o preso” fumegante em questão. Embora não haja um limite mínimo ou máximo de pegas a serem dados por rodada, é de bom-tom ser ágil na tragada, especialmente em rodas muito grandes ou quando o fumo não é seu.

* Como lidar: Só tem um jeito de lidar com pessoas que insistem em transformar o beque em microfone: chamando na chincha e alertando-as sobre o fato de que todos estão ali para fumar – e não apenas conversar.

4) Passar o beque apagado

bequeapagado

Ok, apagar o baseado é algo que acontece comumente, especialmente com fumos muito frescos ou haxixe. Mas então faça o favor de acendê-lo novamente antes de passar. Pior ainda nos casos em que a pessoa deixa a brasa apagar por puro vacilo ou falta de noção na hora de bater a cinza. Seja como for, a regra é clara: passe apenas o cigarro que estiver aceso.

* Como lidar: Apagou, acendeu, passou.

5) Roubar o isqueiro

isqueiro

Às vezes acontece por distração; outras, por pura bandidagem. Mas o fato é que roubar o isqueiro é algo muito comum – e inconveniente – para qualquer maconheiro em qualquer parte do mundo. Até por que, muito em breve, o acessório será invariavelmente requisitado para acender a ponta ou um novo beque – e daí sempre rola aquela agonia em busca do fogo perdido. Desnecessário.

* Como lidar: Cuide bem dos seus isqueiros: em casa, há até quem opte por utilizar “cordinhas” para fixá-los. Se o ladrão costuma ser você, resista aos impulsos cleptomaníacos e evite segurar por muito tempo um isqueiro de terceiros.

6) Travar a ponta

travar

O contexto aqui geralmente é o seguinte: tudo está correndo bem quando, de repente, o baseado chega na ponta (ou nem isso) e simplesmente desaparece. Mais conhecido como “sapo na banca”, o maconheiro que tem por hábito apropriar-se da bagana é, certamente, um dos mais abominados nas rodas de todo o mundo. Falta de noção ou completa ausência de educação estão entre as razões desta que é a mais mesquinha & constrangedora gafe canábica.

* Como lidar: se a preza for sua, peça a ponta de volta com a mesma cara de pau de quem a roubou. Agora, se quem costuma filar a bagana é você, crie vergonha na cara e adquira – ou, de preferência, cultive – sua própria erva, pois poucas coisas queimam tanto o filme perante a roda do que ser o “sapo na banca”.

7) Falar mal do fumo alheio

critico

É aquela velha história: cavalo dado não se olha os dentes. Então, se te convidarem pra fumar um, jamais reclame ou faça qualquer observação negativa sobre a qualidade do fumo alheio – especialmente se você não tiver um melhor pra apertar na sequência. Nada é mais desagradável do que um legítimo “aba” com instinto de crítico canábico.

* Como lidar: bom senso não se ensina, não se exige e não se cobra. Portanto, simplesmente ignore os reclamões e exclua-os das próximas rodadas. Também pode ser divertido desafiá-los a apresentar uma maconha de qualidade superior, no velho esquema: “deixa eu ver então o que você trouxe pra gente”.

8 ) Utilizar sedas improvisadas de papel de pão ou guardanapo

 

sedasimprovi

Não tem desculpa: é atestado de amadorismo insistir em apertar um baseado em papel de pão, guardanapo ou Colomy – ainda mais em tempos em que é possível descolar uma seda de qualidade em quase qualquer esquina. Salvo em último caso, como o fim do mundo, não vale a pena desperdiçar uma boa erva tostando-a em papéis repletos de compostos de petróleo e resquícios de pólvora. Seu paladar e sua saúde agradecem!

* Como lidar: mantenha o estoque de seda sempre abastecido e deixe algumas guardadas no fundo da carteira ou do bolso para casos de emergência. Ou então conforme-se e segure a onda até chegar à seda/bong/pipe mais próximos.

(Texto originalmente publicado na revista semSemente #4. As ilustrações são do genial Pablo Carranza)

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48 Responses

  1. jhonatan

    O mais chato é o microfone, também conhecido como o famoso Lua de mel. kkkkkkkk
    Já mando um “solta o refém! ” ASHAUSHASUHASUHASUS

  2. Jhonny Berlota

    Poderia ter incluído tbm o pavoroso “Eduard Mãos de tesoura”, sempre que o baseado passa por ele na roda volta com alguma avaria, desde aberto ou até mesmo todo arrebentado.

    1. uhauhauhauhauhauhauhauhauh, sensacional, Jhonny, ótima ideia, acho que vou revisar essa post em breve! Adorei o nome “Mãos de tesoura” hauauhahuauhuhauha 😀 bjo!!

  3. André

    Na gafe 3, é o famoso maradona, que não passa a bola, as vezes romario. “O romario, passa a bola ai peixe”

  4. André

    Na gafe 3, é o famoso maradona, que não passa a bola, as vezes romario. “O romario, passa a bola ai peixe”

  5. O Que eu mais odeio são os “sapos da banca”, convido pra fumar e ainda tem a cara de pau de “sumir” com a bagana..

  6. O Que eu mais odeio são os “sapos da banca”, convido pra fumar e ainda tem a cara de pau de “sumir” com a bagana..

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