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Polícia despreparada & covarde: até quando?

Estamos em 2014, mas bem que poderia ser qualquer data por volta de 1964. Numa atitude histérica, covarde e ditatorial, a polícia entrou em confronto com estudantes e professores da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis (SC).

O cenário de guerra instalado no campus durante a tarde ensolarada da última terça-feira (25/03) teve como estopim, adivinhe!, algumas poucas gramas de maconha. Distraído, um estudante de Geografia foi abordado e detido por um policial FEDERAL à paisana – sim, eles ficam infiltrados dentro da universidade na desafiadora (pra não dizer vergonhosa)  missão de flagrar incautos canabistas.

O episódio acabou desencadeando a reação da galera ao redor, que não se conformou com a prisão arbitrária de um pacato maconheiro, especialmente pra quem conhece/mora/vive na região da Trindade, onde “crimes de verdade” – como estupros, assaltos, etc – ocorrem com mais frequência do que deveriam.

O que rolou na sequência foram cenas de causar vergonha alheia eterna por ser brasileiro e viver sob leis tão hipócritas & injustas, segundo as quais quatro ou cinco baseados nas mãos de um estudante justificam o deslocamento da Tropa de Choque da Polícia Militar, bombas de gás lacrimogênio, sem falar nas pauladas & porradas que só quem estava lá e sentiu na pele sabe como foi.

A foto vergonhosa acima, por exemplo, é de um professor, Paulo Pinheiro Machado, diretor do Centro de Ciências Humanas da UFSC (CFH), que foi covardemente atingido por gás de pimenta durante o confronto – e ainda tem um bando de aprendiz de coxinha babaca defendendo a ação da polícia!

O vídeo abaixo mostra o momento em que Paulo, instantes antes de ser agredido, tenta negociar com o delegado despreparado & fascista:

Em seu Facebook, Paulo lamentou a atitude covarde da polícia:

“A Universidade foi agredida por uma ação despropositada e desproporcional da polícia federal, junto com a polícia militar dentro do campus. Não houve aviso nem autorização de qualquer autoridade universitária para esta ação. Chegaram policiais a paisana, sem nenhuma identificação revistando as mochilas de estudantes dentro do café do CFH. Estávamos em meio a reunião do Conselho de Unidade, quando a vice-Diretora, profa. Sônia Maluf que se dirigia para saber o que estava acontecendo, quase foi presa (teve seus documento apreendidos) ao defender um estudante da agressão policial.

Os policiais, que não tinham ainda se identificado como tais arrastaram a força um estudante para um carro particular (sem placa oficial, sem distintivo da polícia) ameaçando professores e outros estudantes que não permitiram a ação arbitrária. Em poucos minutos centenas de pessoas cercavam os policiais decididas a não permitir que esta arbitrariedade ocorresse. Não havia mandato, nenhum tipo de documento. em poucos minutos a tropa de choque estava postada, pronta para entrar em ação contra centenas de pessoas.

Por umas 3 horas permaneceu o impasse: os policiais não conseguiam levar o preso (diziam que ele tinha que assinar um auto) e os manifestantes não conseguiam libertar o estudante. Vários professores procuraram negociação com os policiais, mas o comandante da operação, Delegado Cassiano, da Polícia Federal, mostrou-se um sujeito inexperiente e despreparado.

Quando havia claramente uma possibilidade negociada de levar o estudante para a Delegacia da Polícia assinar o auto, acompanhado por professores da UFSC e pelo Procurador Federal, bastando para isto criar um distencionamento com a retirada da polícia de choque, o Delegado Cassiano não aceitou negociar e ordenou irresponsavelmente a ação do grupo de choque, que arremessou abundante arsenal de bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta, gás ácido, balas de borracha arremessando sobre um grupo desarmado.

Só aí é que os veículos foram virados pela multidão atacada. A foto acima foi quando eu ainda tentava negociação, pedindo aos policiais do choque que parassem o ataque para continuar a negociação. Vários alunos foram atingidos por balas de borracha e fragmentos de bombas de gás. Agradeço aos amigos pelas mensagens de apoio. Estou bem. Só lamento a força desproporcional e o ato covarde e despreparado de um Delegado irresponsável, que colocou muitas vidas em risco.”

estilhacos_bomba_perna

Foto: Raquel Wandelli/UFSC

Uma das muitas vidas colocadas em risco foi a da estudante de Jornalismo, Luara Wandelli Loth, de 20 anos, uma das vítimas mais graves do ataque promovido pela polícia. Luara estava no bosque do Centro de Filosofia e Ciências Humanas para protestar contra a ação policial quando a situação saiu fora de controle e uma bomba de efeito moral explodiu ao lado do seu pé.

Os estilhaços perfuraram sua calça e fizeram cortes profundos. Luara levou quatro pontos na perna direita e muitos outros cortes na parte inferior da perna. Em entrevista ao portal da UFSC, a estudante – que não é usuária de maconha – criticou a atitude e o despreparo da polícia. “Minha avaliação é que esta ação é uma tentativa para que a PM esteja no campus para reprimir os estudantes. O CFH não foi escolhido à toa. É o centro onde se articulam vários movimentos sociais, como o contrário ao Plano Diretor, as manifestações pela redução das tarifas de ônibus. E agora tem a Copa chegando e se esperam muitas manifestações por parte da comunidade universitária. O CFH é o local que resistiu às empresas-júnior e que resiste às políticas conservadoras dentro da universidade. Os estudantes estão envolvidos nessas lutas. Então, a PM no campus é um jeito de coibir nossa liberdade. Na minha opinião, a ação não tinha a ver com tráfico de droga. Foi mais uma intimidação. Outro ponto a ser debatido é o documento da reitoria que estabelece a parceria com a PM. Sou favorável e solidária à ocupação da reitoria e acredito que a gestão e os diretores não podem abrir brechas para a PM ou permitir este tipo de ação arbitrária, pois isso é de algum modo escancarar a porta.”

E, no meio disso tudo, o que mais choca não é nem somente a ação da polícia – que deve ser URGENTEMENTE desmilitarizada – mas também – e principalmente – a atitude de estudantes da própria UFSC, em sua maioria oriundos de cursos de Biológicas & Exatas, que não só apoiam a atitude assassina dos policiais, como debocham e criticam os próprios colegas que tiveram coragem de defender um estudante preso arbitrária e injustamente. Filhotes de coxinhas e policiais assassinos, NÃO PASSARÃO!

Para quem quiser se unir aos estudantes e apoiar o movimento, há uma página no Facebook com mais informações do episódio, que ficou conhecido como “Levante do Bosque”.

Toda força e apoio à galera de Floripa em mais essa luta contra uma maioria facínora & hipócrita – mas que não há de perdurar muito mais. Jah guide us!

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9 Responses

  1. Gabriel

    Lei é lei. Acho super válida a discussão sobre a legalização da maconha, mas o fato é que o seu consumo e comercialização continua sendo ilegal. Não acho que a violência é o melhor instrumento que o Estado pode utilizar, mas ainda assim é melhor do que a omissão. Me desculpe se assim como o sr(a) Engenharia Comanda, penso de forma direta e racional. Vocês, “grandes pensadores das ciências humanas”, complicam o que é simples: quem não age conforme as leis estabelecidas pela maioria (ou melhor, pelo poder escolhido de forma democrática) está sujeito à penalizações. Por fim, termino com as suas palavras – “Menos preconceito e mais reflexão, por favor!” – acho que elas valem para os dois lados…

    1. Claro, Gabriel, a forma “direta e racional” de pensar é sempre obedecendo, sem discutir, sem refletir, acatando e aceitando tudo como bom cordeirinho, certo? Quem concorda que estudantes sejam massacrados por causa de um motivo tão estúpido, no mínimo deve ser o mesmo tipo de pessoa que enche a cara de rivotril, Ritalina e cerveja achando que “droga” é o que “OU OUTROS” usam. Desculpa aê se nós, “grandes pensadores das ciências humanas”, não somos tão cegos & psicopatas quanto os “supremos seres superiores da Engenharia”, que só sabem mesmo é fazer cálculo pra montar edifícios/motores/máquinas que botam o sistema capitalista mesquinho pra funcionar & explorar seus irmãos. Quem defende uma polícia fascista, quem defende o massacre de estudantes por um motivo tão fútil, quem não percebe que tem a mente manipulada, enfim, quem concorda com uma polícia prepotente & potencialmente assassina, só pode ser PSICOPATA igual.

      Beijinhos!

  2. Gabriel

    Lei é lei. Acho super válida a discussão sobre a legalização da maconha, mas o fato é que o seu consumo e comercialização continua sendo ilegal. Não acho que a violência é o melhor instrumento que o Estado pode utilizar, mas ainda assim é melhor do que a omissão. Me desculpe se assim como o sr(a) Engenharia Comanda, penso de forma direta e racional. Vocês, “grandes pensadores das ciências humanas”, complicam o que é simples: quem não age conforme as leis estabelecidas pela maioria (ou melhor, pelo poder escolhido de forma democrática) está sujeito à penalizações. Por fim, termino com as suas palavras – “Menos preconceito e mais reflexão, por favor!” – acho que elas valem para os dois lados…

    1. Claro, Gabriel, a forma “direta e racional” de pensar é sempre obedecendo, sem discutir, sem refletir, acatando e aceitando tudo como bom cordeirinho, certo? Quem concorda que estudantes sejam massacrados por causa de um motivo tão estúpido, no mínimo deve ser o mesmo tipo de pessoa que enche a cara de rivotril, Ritalina e cerveja achando que “droga” é o que “OU OUTROS” usam. Desculpa aê se nós, “grandes pensadores das ciências humanas”, não somos tão cegos & psicopatas quanto os “supremos seres superiores da Engenharia”, que só sabem mesmo é fazer cálculo pra montar edifícios/motores/máquinas que botam o sistema capitalista mesquinho pra funcionar & explorar seus irmãos. Quem defende uma polícia fascista, quem defende o massacre de estudantes por um motivo tão fútil, quem não percebe que tem a mente manipulada, enfim, quem concorda com uma polícia prepotente & potencialmente assassina, só pode ser PSICOPATA igual.

      Beijinhos!

  3. Engenharia Comanda

    Parabéns pela ação da policia, tenho vergonha de dizer que faço parte desta universidade onde a reitoria tem covardia de enfrentar baderneiro e onde baderneiros e insanos recebem o titulo de estudantes!

    1. Realmente, senhor “engenheiro-comandante”, não tem vergonha de apoiar uma ação ASSASSINA de uma polícia despreparada, que colocou a vida de muitos jovens e professores em risco? Engraçado como alguém que se diz “engenheiro comandante” vem opinar de forma tão coxinha e cruel! Provavelmente a sua “sólida” formação política foi fundamentada na base de muitas aulinhas de cálculo e pouca sociologia, história, etc. Ou seja, antes de defender uma polícia assassina que quase matou diversos colegas, você devia se informar um pouco mais. Menos Rede Globo, ok? Caso você não tenha lido a matéria (creio que não), verá o depoimento do professor Paulo e de uma estudante (sua colega de faculdade), que foi a mais grave vítima desse ataque cruel. Se vc apoia isso, meu querido, das duas, uma: ou não passa dum engenheirozinho de merda que só sabe fazer continhas mas é incapaz de raciocinar “fora da caixinha” e da Rede Globo que a mamãe coloca pra vc assistir desde criancinha, ou então tu não passa de um PSICOPATA tão frio e cruel quanto esses pseudos “agentes da lei” que poderiam ter ceifado a vida de diversos inocentes por conta duma guerra que há muito já está vencida. Menos preconceito e mais reflexão, por favor!

      Beijinho no ombro, gato!

  4. Engenharia Comanda

    Parabéns pela ação da policia, tenho vergonha de dizer que faço parte desta universidade onde a reitoria tem covardia de enfrentar baderneiro e onde baderneiros e insanos recebem o titulo de estudantes!

    1. Realmente, senhor “engenheiro-comandante”, não tem vergonha de apoiar uma ação ASSASSINA de uma polícia despreparada, que colocou a vida de muitos jovens e professores em risco? Engraçado como alguém que se diz “engenheiro comandante” vem opinar de forma tão coxinha e cruel! Provavelmente a sua “sólida” formação política foi fundamentada na base de muitas aulinhas de cálculo e pouca sociologia, história, etc. Ou seja, antes de defender uma polícia assassina que quase matou diversos colegas, você devia se informar um pouco mais. Menos Rede Globo, ok? Caso você não tenha lido a matéria (creio que não), verá o depoimento do professor Paulo e de uma estudante (sua colega de faculdade), que foi a mais grave vítima desse ataque cruel. Se vc apoia isso, meu querido, das duas, uma: ou não passa dum engenheirozinho de merda que só sabe fazer continhas mas é incapaz de raciocinar “fora da caixinha” e da Rede Globo que a mamãe coloca pra vc assistir desde criancinha, ou então tu não passa de um PSICOPATA tão frio e cruel quanto esses pseudos “agentes da lei” que poderiam ter ceifado a vida de diversos inocentes por conta duma guerra que há muito já está vencida. Menos preconceito e mais reflexão, por favor!

      Beijinho no ombro, gato!

      1. maruan

        Coxinha que não sabe do que fala, ainda usa da antiga desculpa de que os criminosos comentem os crimes por influência da maconha, tudo bando de filhinhos de papai.

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