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Cadeira feita com maconha é premiada na Semana do Design de Milão


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O projeto do alemão Philipp Hainke, criador da cadeira Halo, tem assento e encosto feitos de cânhamo.

A pesquisa e a experimentação com materiais de origem natural levaram dois dos três prêmios do Salone Satellite, o setor do Salão Internacional do Móvel que reúne os designers de até 35 anos, na Semana de Design de Milão. Neste ano, foram cerca de 550 expositores selecionados para o espaço.

A premiação aconteceu nesta quarta-feira (10/4). O primeiro lugar ficou com o japonês Kuli-Kuli, que desenvolveu objetos de couro, como carteira, usando a pele da raça bovina que é criada na cidade de Kobe. A carne da raça wagyu, que dá origem ao kobe beef, é considerada uma iguaria, mas o couro do animal costuma ser descartado.

Segundo os organizadores, o trabalho foi premiado “por desenvolver, a partir do material, um sistema de design aplicável em diversas tipologias de produtos.

Objeto feito com couro de kobe beef.

O prêmio se relaciona diretamente com o tema escolhido para o Salone Satellite deste ano, “Food as a Design Object”. O tema serve para indicar tendências aos designers, mas eles não obrigados a aderir à proposta.

No entanto, a criação de materiais, móveis e objetos a partir de ingredientes ou voltados para o ato de se alimentar é uma das tendências desta Semana de Design, que inclui a feira e os mais de mil eventos paralelos que acontecem na cidade italiana.

Cadeira de maconha

Cadeira feita com fibra de cânhamo.

Em segundo lugar, ficou o projeto do alemão Philipp Hainke, criador da cadeira Halo, que tem assento e encosto feitos a partir do cânhamo, planta da espécie Cannabis sativa, a mesma da maconha.

Desenvolvido ao longo de dois anos, o material é um composto de fibra, usado na parte externa, de lascas, para o miolo, e de cola de caseína e calcário. “A construção em forma de sanduíche é que dá a estabilidade e a firmeza para o material ser usado na cadeira”, explicou Hainke. Por ser de origem natural, o material é 100% biodegradável.

“Os designers têm que pensar em alternativas. Não acho que vou encontrar alguém na feira interessado em fabricar esse material, não penso nele como um projeto comercial. Minha principal intenção é mostrá-lo como uma das possibilidades para o futuro e como é possível fazer algo que não seja uma ameaça ao planeta“, diz.

O terceiro lugar ficou com outro japonês, o designer Baku Sakashita, que criou luminárias extremamente delicadas feitas com papel japonês e fios finíssimos de aço.

O Brasil não tem nenhum representante Salone Satellite deste ano.

*Fonte: Gazeta do Povo

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