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Conheça a história de Seshat, deusa egípcia relacionada à maconha


Os antigos egípcios eram dotados de grande inteligência espiritual. Para eles a deificação da sabedoria, da escrita, da astronomia, da arquitetura, da matemática, da geometria e da contagem dos ciclos era Seshat, responsável por dar vida às construções sagradas no Egito.

Suas imagens representativas trazem consigo vestimentas de peles de felinos, e ferramentas sagradas de medição. Seus mistérios trazem à luz a verdadeira essência da flor proibida mais amada no mundo.

Existiam lugares onde os escribas mais preparados eram iniciados em conhecimentos ocultos, chamados de Casa da Vida. Seshat era padroeira das Casas da Vida.

Em meu livro “A Linguagem Universal dos Extraterrestres” – lançado em 2010 e que mistura ficção com fatos da história egípcia – afirmo que conhecimentos ocultos foram perpetuados por sociedades iniciáticas. Na minha opinião, um dos mais importantes conhecimentos que nos foram passados é o mito dessa incrível deusa.

Rituais

No antigo Egito, as cordas de medição eram feitas de cânhamo. Uma cerimônia conhecida como “o estiramento da corda” se relaciona à deusa Seshat.  Nessa cerimônia era executado um ritual que tinha como objetivo partilhar e mensurar os campos de cultivo.

Mais tarde, tal rito passou a ser sagrado e estar presente na inauguração de novos templos e lugares místicos. Esse ritual era presidido pelo faraó e se assemelha ao que hoje se chama de “colocação da pedra fundamental”.

Quando a construção de um templo sagrado está concluída, estabelece-se a conexão com o celeste. Uma comunhão com o sagrado que pode ser sentido a partir da terra. Seshat é a responsável pela “abertura da abóbada celeste”.

Semelhante aos efeitos da maconha que nos trazem uma conexão com dimensões superiores onde a percepção é diferente das percepções profanas.

Simbologia

O símbolo que representa a cannabis está entre os hieróglifos mais antigos que temos conhecimento.

Amostras de polén de cannabis foram identificados no solo de Nagada e nas formações geológicas antigas ao leste do delta do Nilo.

Mesmo não sendo nativa do norte da África, a planta encontra as condições ideais para crescer nessa região. Nas rotas de comércio dessa região, flores de cannabis eram encontradas com facilidade, tanto que indicações e instruções de como utilizar a planta estão presentes nos mais antigos textos médicos existentes.

O delta fértil apoiou o cultivo local, tanto que em cada representação diferente que encontramos da Deusa Seshat, cada povo coloca o desenho de sua cepa predileta de cannabis.

Cannabis medicinal na história 

A maconha é citada como medicamento nos seguintes textos médicos do Egito antigo: Papiro de Ramesseum III (1700 aC), Papiro de Eber (1600 aC), Papiro de Berlim (1300 aC) e Papiro Chester Beatty VI (1300 aC).

O Papiro de Eber é um dos mais antigos livros médicos conhecidos.

De acordo com Lise Manniche, egiptologista e arqueóloga, os hieróglifos egípcios “shm-shm-tu”, ou “sm-sm-t” traduzem-se literalmente em “A Planta Marijuana Médica”.

Folhas de maconha

Akhenaton, o faraó que protagonizou a 18ª dinastia do Egito e propagou a crença em um deus único teve sua tumba na Cidade do Sol ornada com fibras de cânhamo, fato confirmado através de duas análises científicas independentes.

A primeira aparição de Seshat na cerimônia de fundação de um templo foi durante o reinado de Akhenaton.

Os desenhos que encontramos sobre a cabeça da deusa possuem folhas 5, 7 e 9 pontas. Folhas de cannabis possuem a mesma contagem de pontas, sempre em número ímpar. O Faraó Akhenaton chamou a deusa de “Sefkhet-Abwy” (Elo dos sete pontos).

Outras representações retratam a deusa segurando um tronco de palmeira em cada mão. Sabemos que as folhas da cannabis são compostas em formato de palmeira ou digitadas com folíolos serrilhados.

A divindade estava intimamente ligada às dançarinas do reino que tinham um importante papel de conexão com o mundo espiritual.

Múmias 

Foi encontrado pólen de cannabis também na múmia de Ramsés II da 19ª dinastia. Assim que o pólen foi descoberto, os estudiosos alegaram que seria apenas uma contaminação, mas pequisas recentes mostraram que os grãos de pólen de cannabis eram aplicados na grande maioria das múmias reais.

Também foram documentadas amostras que continham pólen de cannabis em uma múmia de 100 a.C da era ptolemaica.

Porta do céu 

Nos capítulo X do “texto dos sarcófagos”, coleção de magias funerárias escritas entre 2181 aC e 2055 aC, está escrito:   “Seshat abre a porta do céu para você”.

Quando olhamos para trás e vemos ensinamentos como esse, que sobreviveram milênios percebemos quanto conhecimento as culturas que viveram antes tentaram nos transmitir e nos foram ocultados pela ditadura dos cleros dominantes.

Através desses estudos sabemos a importância que esta erva natural teve para as mais poderosas dinastias e quando resgatamos essa cultura damos um passo importante para eliminar as superstições que existem sobre uma planta que é tão benéfica para a humanidade.

*Por Rodrigo Filho∴, ativista e colunista do Maryjuana, também é Mestre Maçom, membro da Confederação Maçônica Interamericana e membro da Antiga e Mistica Ordem Rosacruz AMORC