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4 dilemas que toda maconheira conhece muito bem


Em uma sociedade machista e patriarcal, ser mulher nunca é fácil. Imagine então ser mulher & maconheira.

Sobretudo em países proibicionistas como o Brasil, a rotina das minas maconheiras muitas vezes culmina em bad trips das mais diversas. Isso sem falar na realidade cruel de um sistema que encarcera pretos e pobres à rodo, levando milhares de mulheres à cadeia todos os dias por “crimes” relacionados à cannabis, entre outras drogas.

Não existem dados precisos sobre o número de mulheres presas hoje no Brasil por conta de porte ou uso de maconha, mas sabe-se que a população carcerária feminina cresceu 698% no Brasil em 16 anos, segundo dados mais recentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça.

A despeito de toda a desgraça social que o proibicionismo e o machismo representam, outras questões diversas – e altamente irritantes – costumam ser constantes na vida das maconheiras – e é sobre elas que falaremos aqui.

A seguir, confira os 4 dilemas que toda maconheira conhece muito bem:

1) Comparações estúpidas

Basta gostar muito de maconha ou ser fã de longas bongadas para ouvir algo do tipo “nossa, hein, você fuma como homem”. Aposto que tem muita mina por aí – eu incluída – que já ouviu essas e outras do mesmo naipe, como se o comportamento dos machos fosse parâmetro para alguma coisa na vida.

Mulheres também podem gostar muito de usar muita cannabis. Apenas lidem com isso. Ah, e se quiser me comparar com algum homem, que seja no mínimo com Snoop Dogg ou Cheech & Chong – e não por questão de gênero, vale ressaltar, mas sim de pura de afeição pela erva.

 2) Dificuldade de acesso

Considerando-se a realidade de países proibicionistas como o Brasil, o acesso à erva no mercado ilegal pode ser ainda mais difícil para as mulheres do que para os homens. Convenhamos que, lideradas majoritariamente por homens, as tais “bocas de fumo” são ambientes quase sempre hostis para as minas.

Além disso, tem muito traficante macho que tira a mulherada pra trouxa e entrega o fumo malhado, em menor quantidade do que o acordado, ou até mesmo de qualidade inferior. Afinal, o safado sabe que a probabilidade da mina enfiar a mão na cara dele é muito menor do que se fosse um macho na fita.

Sendo assim, o cultivo caseiro de cannabis segue sendo a maneira mais segura e eficaz de garantir seu próprio suprimento sem precisar apelar para o mercado ilegal, ainda mais para as minas. #NãoComprePlante

3) Menosprezam seus conhecimentos e opiniões sobre a erva

Mulheres geralmente são menosprezadas nas rodas em que predominam homens. A não ser que esteja sendo cortejada – ou seja namorada/esposa – de um dos caras, a mina provavelmente vai ser a última a fumar. Isso se não esquecerem de lhe passar a bola – ou pularem a sua vez.

A situação fica ainda mais evidente quando elas entendem mais de maconha – ou cultivam melhor – do que eles. Neste caso, tente expor seus conhecimentos e prepare-se para vivenciar prováveis episódios de mansplanning e manterrupiting.

Está achando exagero? Então segura a[i um exemplo gritante da série “aconteceu comigo”: ao competir em uma copa canábica no Uruguai, em 2015, fiquei entre os 10 finalistas da categoria cultivo indoor, com uma resinadíssima amostra de Special Kush #1. As amostras eram numeradas e deveriam ser degustadas pelos finalistas, que tinham direito a votar em suas preferidas.

Ao tentar ingressar na área restrita aos competidores, fui barrada por um segurança, que perguntou se “meu esposo” estava ali dentro, caso contrário eu não poderia acessar a área. Quando eu disse que era uma das finalistas, o moço incrédulo exclamou: “mas eu nem sabia que tinham mulheres competindo”. De fato, só tinham eu e mais uma moça entre mais de 100 competidores.

Após ingressar na área restrita, ainda demorei mais uns 10 minutos explicando pros boys que eu estava ali na mesma condição que eles, competindo com eles – e, inclusive, obtendo uma colocação melhor do que vários deles, com um honroso 4º lugar.

4) Pré-julgamento 

Independente de gênero, os usuários de maconha geralmente são enquadrados em estereótipos dos mais diversos e chulos. Mas, como tudo na vida, é sempre mais fácil e socialmente aceitável que um macho fume maconha do que uma mulher.

No caso das minas, o pré-julgamento pode ser ainda mais cruel. Se já nos tiram de loucas por qualquer motivo, imagina quando descobrem que usamos maconha? Além de louca, muito babaca vai te pré-julgar como “vagabunda”, “fácil”, “perdida”, “drogada”, entre outros adjetivos que exalam o mais puro recalque e ignorância.

A situação pode ser ainda mais desagradável para as mães que fazem uso de cannabis e são vistas como “irresponsáveis”, “drogadas” e todos os demais adjetivos listados acima. É como se o fato da mina ser maconheira representasse um “risco” à vida da criança. Ou como se uma mãe não tivesse o direito de usufruir de sua liberdade individual e se divertir um pouco. Seja lá como for, deixem-nos em paz!

****MARY 4:20: EXPERIMENTE AGORA A PRIMEIRA & ÚNICA LINHA DE CAFÉS ESPECIAIS DO PLANETA DESTINADA À HARMONIZAÇÃO COM CANNABIS****

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