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Após prisão de THCprocê, polícia acirra perseguição aos cultivadores de maconha

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Quando se trata do cultivo caseiro de maconha, não existem limites para a ignorância e a hipocrisia das leis brasileiras.

Que o diga o professor de tecnologia da informação e segurança eletrônica Sérgio Delvair da Costa, de 52 anos, preso desde o último mês de junho, após ser flagrado com 120 pés de maconha.

Conhecido na internet como THCprocê, o ativista mantinha um canal no Youtube onde dava dicas de cultivo de maconha, além de ter fundado a Cooperativa de Cultivadores do Brasil (CCB), uma espécie de clube semelhante aos existentes no Uruguai, Estados Unidos e Holanda.

Como se já não bastasse a prisão deste simples ativista & jardineiro, agora a polícia ameaça perseguir os 1.200 associados à cooperativa.

“A Cooperativa de Cultivadores do Brasil (CCB) repassava sementes para interessados em todo o país por meio dos Correios. Nesse esquema, cada um dos envolvidos pagava um valor mensal para receber a mercadoria em casa. Nosso objetivo agora é identificar essas pessoas e saber qual o envolvimento de cada uma com esse tráfico”, disse o delegado Francisco Antonio da Silva, titular da 20ª DP (Gama), em entrevista à BBC Brasil.

Sim, é isso mesmo que você leu: como se não existissem outros crimes de verdade ocorrendo, a Polícia Civil do Distrito Federal pretende iniciar uma mega-operação para investigar outros simples jardineiros que decidiram plantar justamente para não fomentar o tráfico de drogas.

A ameaça, aliás, já havia sido proferida no vídeo patético publicado pelos agentes que efetuaram a prisão de THCprocê, no canal do próprio no Youtube.

Redução de danos

Na opinião do advogado Emílio Figueiredo, que faz parte da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas, “Sérgio está preso por fazer redução de danos”. Afinal, ao compartilhar sementes a preços módicos, “ele conseguiu evitar que muitos usuários recorressem ao tráfico de drogas”.

thcproce_cultivadores

No entanto, o ativista segue encarcerado, enquanto o inquérito principal aguarda o posicionamento do Ministério Público para avaliar se será necessário acionar a Polícia Federal para auxiliar a investigação em outras regiões do país.

Pelo terrorismo midiático e por envolver cultivo de maconha, o caso de THCprocê em muito lembra o de Ras Geraldinho, que no próximo mês de agosto completa quatro anos de prisão (dos catorze a que foi condenado!).

Alarmismo e perda de tempo

Segundo Figueiredo, a ameaça de investigação contra os seguidores de THCprocê não passa de “alarmismo para assustar os cultivadores”.

“Não há prova sobre esse relacionamento que configure crime. Além disso, a polícia vai perder um tempo enorme para tentar saber se essas pessoas estão plantando cannabis, quando o foco dela deveria ser em crimes graves. É se preocupar com muito pouco”, disse.

“Growboom”

Basta ler os jornais para perceber que a repressão aos cultivadores de maconha parece ser uma das prioridades da polícia brasileira.

Sem respeitar qualquer direito à privacidade e inviolabilidade do lar, o Estado segue invadindo residências em busca de poucas plantas de maconha. De Norte a Sul do país, quem prefere plantar para não comprar corre o risco de ser considerado traficante.

Mas não há X-9 nem proibição que consiga deter a expansão do cultivo caseiro no Brasil. “O cardume de jardineiros não para de crescer. Estamos vivendo o ‘growboom‘”, define Figueiredo.

Twittaço

Para clamar pela liberdade de THCprocê, amigos e ativistas programaram um twittaço marcado para o dia 21 de julho, a partir das 11h30.

A ideia é subir a hashtag #LiberdadeTHCProce nos trending topics do Twitter. Clique aqui para saber mais sobre a iniciativa e participe!

 

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