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Pacientes desmistificam o ato de fumar maconha


“É preciso abrir a cabeça de quem acha que fumar é a pior coisa do mundo. Para mim, fumar maconha representa qualidade de vida”, afirma Filipe Suzin, que tem leucemia mieloide crônica.

Para tratar a doença, ele faz uso de um coquetel de medicamentos quimioterápicos com fortes efeitos colaterais, que só são amenizados com o uso de cannabis, incluindo na forma inalada, através do consumo diário de baseados.

Filipe também consome óleos e faz uso tópico da erva, mas é fumando que obtém a maioria dos benefícios, sobretudo a redução do enjoo, fadiga e mal-estar causados pelos remédios.

“Tem gente que acha que fumar nos deixa lesados. Mas, quando eu fumo, eu me ativo, é meu energético, me ajuda com a ansiedade, me equilibra, me dá foco e vontade de fazer as coisas”, conta.

Recentemente, Filipe lançou um vídeo no Instagram com o objetivo de desmistificar a questão, que você confere a seguir:

Mais preconceito do que risco

Embora seja comum, o ato de fumar maconha ainda é visto com preconceito por muitas pessoas, incluindo pacientes e médicos.

E não é por menos: inalar qualquer tipo de fumaça envolve absorver também as toxinas próprias da combustão, o que pode ser especialmente contraindicado para quem sofre de problemas respiratórios.

Mas, apesar dos pesares, quando se trata de fumar maconha parece que os riscos são menores, pelo menos se comparados aos efeitos devastadores do tabaco.

Segundo estudo publicado em 2015 no International Journal of Cancer, o uso de maconha não aumenta o risco de desenvolver câncer de pulmão.

A pesquisa analisou dados coletados em 2.159 casos de câncer de pulmão – além de outros 2.985 controles – coletados em diferentes países, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Nova York.

As análises levaram em conta fatores como sexo, histologia, fatores sociodemográficos e histórico de uso de tabaco.

A conclusão sugere que o hábito de fumar maconha não está necessariamente associado a um maior risco de desenvolver a doença mesmo em usuários regulares e de longo prazo.

Em 2013, um outro estudo publicado na revista Annals of American Thoracic Society chegou a uma conclusão semelhante, sugerindo que o hábito de fumar a erva não é tão prejudicial ao pulmão quanto o tabagismo.

Quando o dano compensa

É óbvio que, assim como ressalta Filipe Suzin, “fumar pode não ser a melhor opção do universo”, mas você já experimentou ler a bula de alguns dos medicamentos que consome?

“Tem muita coisa legalizada por aí que é bem pior do que fumar maconha”, diz Filipe, que possui habeas corpus preventivo que garante o direito de cultivar maconha para ele e seu pai, Ivo Suzin, portador de Alzheimer.

“Eu sei que fumar tem seus malefícios, mas eu prezo mais pela minha qualidade de vida do que pelo meu pulmão daqui a 30 anos, até porque se eu tiver qualquer doença pulmonar até lá, jamais terei certeza se foi por fumar, ou devidos às toxinas no ar”, reflete.

Baseados terapêuticos

Quem também assume os riscos da fumaça em nome do bem-estar diário é o designer gráfico Gilberto Castro.

Portador de esclerose múltipla, ele consome baseados diários no intuito de controlar a evolução da doença, que possui uma série de sintomas distintos, que vão de fadiga a perda da visão e movimentos, entre outros.

“A cannabis ajuda muito e de muitas formas. Eu costumo dizer que o CBD salva, enquanto o THC alivia.  Basicamente, com o THC eu melhoro e controlo os sintomas e sensações ruins da doença – que não são poucos – e o CBD ajuda no controle da evolução da doença”, diz Gilberto.

Assim como Filipe, ele também faz uso da erva em outras formas, incluindo a ingestão de óleos e vaporização. Mas é através do ato de fumar que obtém alguns dos benefícios mais marcantes. “Costumo fumar e ingerir. Como não tenho problema de pulmão, faço questão da fumaça. É a diversão.”

Vantagens

Nem só de riscos e malefícios é feito o ato de fumar maconha.

No contexto do uso terapêutico, inalar a erva também possui suas vantagens, a começar pelo início de ação quase imediato – ao contrário do que acontece quando ela é ingerida, por exemplo, podendo levar de 1 a 2 horas para fazer efeito.

Outro benefício do baseado é o controle da dose. “É difícil passar da dose. E, mesmo quando se fuma demais, os efeitos passam tão rápido quanto iniciaram”, explica Filipe.

Gilberto concorda. “Quando se ingere a erva, é mais fácil passar do ponto – e daí os efeitos demoram mais para passar também.”

“Fumar é qualidade de vida, é o que me ajuda a levar em frente a quimioterapia”, arremata Filipe.

E você, o que acha de fumar maconha com fins terapêuticos? Deixe sua opinião nos comentários ou em nossas redes sociais!

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