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Maconha e TDAH: novo estudo sugere benefícios promissores

Pesquisa recente conduzida por cientistas britânicos trouxe à tona indícios de que o uso medicinal da maconha pode ser uma alternativa benéfica para portadores de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

No estudo observacional, os pesquisadores acompanharam pacientes com TDAH que fizeram uso de cannabis por 12 meses, período em que observaram melhorias significativas em questões como ansiedade, qualidade do sono e qualidade de vida em geral.

A maconha foi bem tolerada pela maioria dos pacientes, sendo que menos de um quinto deles experimentou efeitos colaterais negativos moderados. Os autores defendem que esses resultados, embora não conclusivos, servem como estímulo para futuras pesquisas sobre maconha e TDAH.

“Foi observada uma associação entre o tratamento com cannabis e melhorias na ansiedade, qualidade do sono e qualidade de vida geral em pacientes com TDAH”, relatam os pesquisadores.

O TDAH, ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, é uma condição neurodesenvolvimental geralmente caracterizada por dificuldades de concentração, hiperatividade e impulsividade. Embora tradicionalmente classificado como um transtorno, muitos especialistas agora o consideram como um tipo de neurodivergência, uma variação natural na forma como cérebros diferentes processam informações.

Visto sob essa perspectiva, o TDAH apresenta características únicas, como tendência ao pensamento criativo, altos níveis de energia e hiperfoco.

No entanto, o diagnóstico traz suas dificuldades, como dificuldade de concentração, hiperatividade e impulsividade, além de uma maior incidência de problemas de sono, ansiedade e depressão. Tais dificuldades podem impactar negativamente a qualidade de vida, escola, trabalho e relacionamentos sociais.

Segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção – ABDA, o número de casos de TDAH varia entre 5% e 8% a nível mundial.

“Remédios normais não amenizam a pressão”

Embora alguns medicamentos tenham se mostrado eficazes na atenuação dos sintomas da condição – como Adderall e Ritalina – muitos deles causam efeitos colaterais negativos.

Devido a riscos como diminuição do apetite, insônia, desregulação emocional, irritabilidade e eventos cardiovasculares adversos, muitas pessoas diagnosticadas com TDAH evitam tomar esses remédios.

Diante dos desafios no tratamento da doença, os pesquisadores têm se perguntado se a cannabis poderia apresentar uma alternativa eficaz, sem adicionar um fator de risco tão alto.

Afinal, a planta é conhecida por ativar o sistema endocanabinoide, algo que o TDAH pode prejudicar, segundo pesquisas pré-clínicas.

Outras pesquisas adicionais indicam que a cannabis poderia ajudar a melhorar concentração, motivação, aprendizado, memória, hiperatividade e impulsividade em indivíduos com TDAH.

No entanto, também há evidências de que a maconha pode piorar a função cognitiva em pacientes com o transtorno.

Maconha e TDAH: novas perspectivas

Para examinar os resultados a longo prazo do uso de cannabis em pessoas com TDAH, o estudo mais recente analisou dados de 68 pacientes, sendo que 80% deles já eram consumidores de maconha.

Ao analisar medidas de resultados relatadas pelos pacientes, bem como as doses diárias de CBD e THC nos marcos de 1, 3, 6 e 12 meses, os pesquisadores determinaram que os níveis de ansiedade, qualidade do sono e qualidade de vida dos pacientes melhoraram.

Apenas 11 dos 68 participantes relataram algum efeito colateral negativo moderado, como insônia, comprometimento da concentração, letargia e boca seca. Nove pacientes chegaram a interromper o uso de outros medicamentos para TDAH durante o tratamento.

De maneira notável, as métricas de ansiedade e qualidade do sono melhoraram em cada verificação ao longo dos 12 meses. Melhorias significativas também foram encontradas na qualidade de vida relacionada à saúde nos primeiros 6 meses do estudo.

No entanto, até o mês 12, essas melhorias haviam voltado ao patamar inicial, sem diferença significativa entre os pacientes que já eram consumidores e aqueles que não eram.

O estudo adiciona especificidade à pesquisa sobre cannabis para o TDAH, uma vez que os pesquisadores isolaram dados de pacientes reais usando cannabis real, em oposição a dados de pesquisas em nível populacional ou estudos limitados a células ou animais.

Limitações do estudo

Embora a pesquisa sugira que a cannabis pode mitigar alguns sintomas do TDAH, é preciso levar em conta suas limitações. Em primeiro lugar, os cientistas não conseguiram provar que a erva causou as melhorias; podendo ser esta apenas apenas uma correlação.

Além disso, o levantamento não investigou os diferentes efeitos de diferentes rotinas de consumo de cannabis: não apenas a dosagem, mas também os componentes químicos de diferentes cepas e os métodos de consumo empregados. Dessa forma, não podemos presumir que todas as variedades de maconha causarão os mesmos resultados.

Como se já não bastasse, a maioria dos participantes era do sexo masculino (80,88%), o que pode influenciar nos resultados. Estudos futuros devem analisar como a cannabis pode afetar pacientes com TDAH do sexo masculino e feminino de maneira distinta.

Finalmente, considerando que a maioria dos pacientes já fazia uso de maconha antes do início do estudo, isso poderia distorcer os resultados para mostrar mais ou menos benefícios da cannabis para portadores de TDAH.

Seja como for, a pesquisa relaciona importantes evidências de que a planta possui benefícios para quem precisa lidar com esse distúrbio, especialmente quando se trata de aliviar a ansiedade e os distúrbios do sono. Afinal, muitas vezes os “remédios normais não amenizam a pressão”, como diria o poeta!

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*Por: Redação Maryjuana

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