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Estudo: cannabis com alto teor de THC não é necessariamente mais potente

Engana-se quem pensa que as variedades de cannabis com alto teor de THC são as que produzem efeitos mais fortes. 

Esqueça aquela ideia de que as strains – ou concentrados – com alto teor de THC vão necessariamente te deixar muito mais chapado.

Segundo reportagem da revista Forbes, a indústria canábica – que costuma elevar os preços dos produtos que testam acima de 25% de THC – baseia-se em uma falácia agora desmascarada pela ciência.

Escolher a maconha com base no teor de THC descrito no rótulo é mais ou menos como comprar um vinho só pela aparência da garrafa.

A quantidade de THC não deve ser utilizada como indicador de potência, sugere artigo publicado neste mês no JAMA Psychiatry.

Estudo

Pesquisadores da Universidade do Colorado, ligados ao Instituto de Ciência Cognitiva de Boulder, documentaram  experiências de 121 usuários de maconha.

Metade dos participantes era usuária de concentrados de cannabis – por exemplo, wax e outras formas de extratos com alto teor de THC – e a outra metade preferia consumir somente as flores.

Para os testes, ambos os grupos receberam cannabis de diferentes potências: os consumidores de flores experimentaram produtos com 16% ou 24% de THC, enquanto os usuários de extratos receberam óleo com 70% ou 90% de THC.

Os pesquisadores realizaram então exames de sangue, monitoraram o humor, função cognitiva e nível de intoxicação de todos os participantes, imediatamente após e uma hora após o uso.

Resultados

Conforme esperado, os usuários concentrados tinham níveis muito altos de THC no sangue. Mas, nem por isso, estavam mais chapados.

De fato, a “chapação” auto-referida por todos os participantes foi praticamente a mesma – “assim como suas medidas de equilíbrio e comprometimento cognitivo”, como os cientistas observaram em comunicado à imprensa.

“As pessoas do grupo que consumiu cannabis com altos teores de THC estavam muito menos comprometidas do que pensávamos que estariam”, disse o co-autor Kent Hutchinson, professor de psicologia. “Se déssemos às pessoas uma alta concentração de álcool, teria sido uma história diferente.”

Considerando os usuários de flores, 16% de THC em comparação com 24% é uma grande diferença – 50% “mais forte”.

Como os usuários de produtos com uma diferença tão grande em potência podem relatar efeitos psicoativos semelhantes?

A resposta está numa teoria que os especialistas em cannabis e os cientistas já dizem por aí: há muito mais fatores em jogo que o THC.

Julgar uma variedade de cannabis somente com base em seu percentual de THC é como julgar um filme baseado no ator principal. O teor de THC não é um indicador do desempenho.

(Uma exceção a isso são os comestíveis. Se um comestível diz que possui 100 miligramas de THC, e outro diz que tem 10 miligramas, e você come o que tem 100 mg, você ficará absolutamente mais chapado – e por mais tempo – do que se tivesse comido o de 10 mg.)

Muito além do THC

Existem inúmeros canabinoides, incluindo CBD e mais de 100 outros – a maioria dos quais nem são testados. (Mesmo se fossem, o consumidor médio saberia o que fazer?)

Também existem compostos aromáticos chamados terpenos que determinam como a maconha afeta a mente e o corpo. Todos esses fatores em conjunto, produzem um fenômeno conhecido como “o efeito da comitiva”. É por isso que o THC sintético simplesmente não produz os mesmos efeitos médicos que fumar maconha.

Mas voltando aos teores de THC. Pesquisadores de cannabis sabem que estes número não são indicadores de potência. Os produtores e vendedores de maconha sabem que são falsos.

E, no entanto, aqui estamos nós. Os comerciantes, ao colocar cannabis com alto teor de THC nas prateleiras para satisfazer a demanda mal direcionada do mercado, estão garantindo que o mal-entendido continue.

“É uma pena”, disse Neil Dellacava, co-fundador da Gold Seal, uma marca de cannabis de São Francisco especializada em flores de alta qualidade . “Acho coisas absolutamente incríveis que tenho que jogar no lixo porque ele testa em 18 ou 19%.”

Nesse nível, apesar de “um perfil incrível de terpenos, a melhor fumaça que já tive” simplesmente não será vendida, disse ele.

“As pessoas simplesmente não entendem”, acrescentou. “Quando as pessoas vão às compras, procuram duas coisas: procuram preço e procuram porcentagem de THC”.

A falácia do THC persiste, apesar dos esforços de todos. Tanto os influenciadores do Instagram quanto os empreendedores e defensores da maconha tentaram explicar que o número de THC é, na melhor das hipóteses, uma estimativa aproximada ( e um número que, dependendo do laboratório que o criou, pode ser inflado ou suspeito ).

Levará muito tempo para que os consumirem ajustem seus hábitos e percebam que o teor de THC não é como o volume de álcool descrito em um rótulo de cerveja.

*Fonte: Forbes

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