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Amsterdã: prefeita propõe legalização da cocaína para combater o tráfico

A Prefeita de Amsterdã, Femke Halsema, defende a legalização da cocaína como estratégia para enfraquecer o crime organizado e acirra o debate público sobre o tema.

Em entrevista ao jornal holandês Financieele Dagblad, a Prefeita Femke Halsema expressou opinião favorável à legalização, regulamentação e venda de cocaína. Ela destaca a necessidade de retirar o poder dos grupos criminosos que ameaçam a segurança e estabilidade da cidade.

“Entregamos o mercado a criminosos inescrupulosos, que lucram bilhões. Enquanto isso, a guerra às drogas perturba países inteiros, causando inúmeras vítimas e fortalecendo o modelo de negócios criminoso”, declarou Halsema.

Recentemente, a Alfândega Holandesa divulgou um relatório indicando um aumento nos casos de crime organizado relacionado ao tráfico de cocaína na Europa. Em 2023, foram apreendidos mais de 60 mil quilos da substância, e em 2022, 51 mil quilos. Halsema convocou um debate público sobre o assunto, agendado para 26 de janeiro em Amsterdã.

As apreensões de cocaína na Europa seguem uma tendência crescente, com centenas de toneladas apreendidas anualmente. Relatórios indicam uma queda significativa no preço médio da cocaína na Europa, e a ONU afirmou, em março do ano passado, que a produção de cocaína atingiu níveis recordes.

“Há centenas de anos desencorajamos e reprimimos, e conquistamos muito pouco”, observou Halsema. “Aparentemente, as pessoas têm uma necessidade de estimulantes. Existe um mercado para isso.”

Femke Halsema tem sido uma defensora ativa de mudanças desde sua posse como prefeita em 2018. Em um artigo recente publicado no jornal The Guardian, ela alertou sobre o risco de a Holanda se tornar um estado narcotraficante se medidas não forem tomadas para conter o crime organizado.

“O uso generalizado de drogas está integrado à sociedade. O mercado é enorme. Mas há riscos para a saúde pública, e não devemos deixar o mercado nas mãos de criminosos”, afirmou Halsema.

Redução de danos

Apesar de inicialmente parecer desconexa para muitos, a abordagem de Halsema deve ser entendida sob uma perspectiva de redução de danos. Ela compara a legalização da cocaína ao famoso “Red Light District, de Amsterdã, que, em sua visão, oferece segurança às trabalhadoras do sexo.

O mesmo princípio se aplicaria às vendas de cocaína.

Um relatório de 2023 do Centro Europeu de Monitoramento de Drogas e Toxicodependência revelou que a cocaína é a segunda droga mais abusada na Europa, depois da cannabis.

As apreensões de cocaína nos principais portos da Europa aumentaram consistentemente desde 2016. Uma pesquisa apontou que quase 2,3 milhões de europeus entre 15 e 34 anos usaram cocaína no ano anterior.

Esses aumentos recordes no uso e tráfico levaram a Suíça a abrir discussões sobre o lançamento de um programa-piloto para a venda recreativa de cocaína em sua capital, Berna. Halsema parece seguir a mesma linha, defendendo uma abordagem sensata para a política de drogas em Amsterdã.

“Os problemas da Holanda revelam a necessidade de uma mudança global na abordagem atual. Não se trata de retrair nossa política centrada no usuário, mas sim de advogar pelo reconhecimento internacional de que a guerra às drogas é contraproducente”, concluiu Halsema.

*Fonte: Hightimes

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