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As conexões entre budismo e maconha


O budismo é um grande conjunto de pensamentos filosóficos. As qualidades que um praticante budista busca são: estabilidade, compaixão e clareza – e nenhuma delas é afetada pela cannabis. Budistas se abstêm de matar, pegar o que não lhe é dado e discursos incorretos. 

Sidarta Gautama, o Buda supremo, foi discípulo de diferentes mestres e desencantou-se com seus ensinamentos. Então tentou todas as alternativas que encontrou para buscar iluminação, incluindo meditações profundas e jejuns severos. Encontrou o que hoje os budistas chamam de “caminho do meio”. Foi uma pessoa com a mente muito aberta. Jamais tirou o crédito do panteão hindu.

O que o supremo Buda nos transmitiu é que devemos abandonar o que é prejudicial. Será que a cannabis é prejudicial ou benéfica?

Meditação

A cannabis é uma erva altamente espiritual. Seu uso principal se dá em formas mais elevadas de meditação, como Mahamudra e Dzogchen.

Com o uso da cannabis entramos em um estado bom, receptivo, e nos tornamos espiritualmente mais sensíveis. Preparar-se espiritualmente para uma experiência psicoativa é um desafio.

A Cannabis era amplamente utilizada como parte de uma prática espiritual nos tempos de Buda, e ninguém considerava isso ruim ou desfavorável.

Plantações de cannabis crescem nas regiões onde vivem os adeptos do budismo. Ela ajuda a equilibrar nossos sistemas e a equilibrar os dualismos.

Existem praticantes budistas que usam outros medicamentos psicotrópicos, então não tem porque demonizar a maconha.

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Tradições budistas

Os budistas chineses têm a tradição de usar cannabis ritualmente dentro de suas meditações.

No budismo tibetano, desde o século V a.C é aceitável utilizar qualquer substância natural, desde que se evite o exagero.

Experiências místicas com maconha são comuns e alguns lamas tibetanos consideram que a marijuana é a sua planta mais sagrada.

A tradição tibetana de Nyingma Dzogchen leva em consideração que a maconha, quando usada com cuidado e com a intenção certa, abre portas.

Na tradição budista Mahayana, fala-se que, antes de Buda alcançar a iluminação, ele ficou um período comendo apenas sementes de cannabis (que são ricas em proteínas e apontadas como alimento alternativo para solucionar a fome do planeta), até que anunciou as suas quatro nobres verdades e o caminho óctuplo.

O quinto preceito sobre não intoxicar a mente é muito utilizado pelos conservadores como um argumento de proibição. Mas o que mais intoxica as nossas mentes são os pensamentos negativos, e não os terpenos de uma planta.

Simplesmente seguir regras não configura a prática do budismo. Você está praticando o budismo quando o seu próprio “eu” reconhece o que é negativo e o abandona.

Cannabis e a busca pela iluminação

O que o budismo e a cannabis têm em comum é que ambos se interessam pela primazia da mente.

Muitas pessoas buscam a sabedoria do dharma e também a propriedade psicoativa que a cannabis oferece.

No contato com a planta, sentimos a conexão que existe entre nós e todos os seres vivos.

Quando se combina a prática espiritual com algum agente ampliador de percepção, o resultado é benéfico. Ganhamos mais autoconhecimento, maior clareza, mais lucidez.

A cannabis nos traz facilidade de fazer visualizações e efetuar práticas meditativas; ela não influencia nosso aprendizado espiritual e auxilia na prática da meditação.

Algumas pessoas que não usaram maconha não têm perseverança, e outras que usaram podem ter mais perseverança.

Harmonia e respeito

É super natural que existam pessoas que não fumam maconha, mas respeitam as pessoas que usam. Portanto, se você é budista e gosta da erva, continue vibrando sentimentos de unicidade e conexão com o meio ambiente livremente.

A maconha nos ajuda a confirmar intuições e crenças, assim como eliminar as besteiras que pairam sobre a mente.

A harmonia da cannabis se encaixa na filosofia de Buda em viver mais perto do equilíbrio entre o céu e a terra. Em nossas viagens, compreendemos que somos simples expressões de energias.

Nenhum dogma é capaz de tirar do nosso caminho algo que a natureza nos proporciona e nos ajuda em nossa evolução.

*Por Rodrigo Filho∴, ativista e escritor