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Maconha cai nas graças das marcas de cosméticos


Após a legalização nos Estados Unidos, a erva conquistou a indústria de cosméticos.

Em 1998, policiais franceses invadiram uma loja da The Body Shop em Aix-en-Provence. O objetivo era apreender produtos feitos à base de cannabis – nome científico da boa e velha maconha – com a justificativa de que eram apologéticos ao uso ilegal da erva. Com índices quase nulos de alucinógenos, impossíveis de serem consumidos pelos humanos, foram rapidamente liberados e a linha à base do óleo extraído das sementes de cânhamo, ampliada. Hoje, eles estão disponíveis em 49 dos 66 países onde a marca está presente.

Infelizmente, cosméticos do tipo não podem ser vendidos ou trazidos para o Brasil, ainda que tenha gente que se arrisque fazendo compras durante viagens internacionais. Vinte anos depois, o cenário enfrentado pela The Body Shop não poderia ser mais diferente lá fora – e prova que Anitta Rodick, fundadora da marca, era mesmo uma visionária.

Com a legalização da erva em alguns estados americanos, abriu-se um novo mercado para os derivados da planta. Universidades têm investido nos estudos sobre suas propriedades – a de Oxford, na Inglaterra, fez um investimento inicial de 10 milhões de libras para tanto.

Os benefícios terapêuticos da maconha já são conhecidos há alguns anos: amenizar crises epiléticas, auxiliar nos tratamentos de pacientes com câncer e aliviar a dor de pessoas com enxaqueca severa são alguns deles. Agora, as pesquisas mostraram que o óleo extraído da planta também tem alto efeito antioxidante e anti-inflamatório – tornando-a uma excelente candidata para ser o ativo do futuro nos cremes de cuidados com a pele.

A cannabis, como a maconha é cientificamente conhecida, possui variedades com diferentes concentrações de canabinoides, substâncias semelhantes à endorfina e que provocam uma sensação de bem-estar no sistema nervoso humano. Os dois tipos mais conhecidos são o THC (tetrahidrocanabiol), responsável pelo efeito psicoativo da maconha, e o CBD (canabidiol), substância com alto poder anti-inflamatório e antioxidante e, por isso mesmo, mais usada nos medicamentos e cosméticos.

Segundo o médico canadense Andrew Kerklaan, criador de uma linha de cremes corporais que leva o seu sobrenome, os canabinoides são ativos naturalmente compatíveis com o corpo humano. Nós já produzimos nossa própria versão da substância, importante para equilibrar o sono e a fome, por exemplo. Portanto temos afinidade com moléculas vegetais de estrutura parecida, como as encontradas também na cannabis.

Assim como a The Body Shop e Kerklaan, outras indústrias da beleza estão investindo no uso tópico. Nos EUA e na Europa, onde o consumo desses produtos são liberados, cremes com CBD em sua composição têm sido usados para tratar desde picadas de mosquito até alergias, acne e envelhecimento. “O óleo de canabidiol é conhecido pelos antioxidantes, gorduras ômegas e benefícios anti-inflamatórios. Tudo isso pode ser usado para melhorar a pele irritada, desidratada ou em processo de envelhecimento”, explica Ildi Pekar, esteticista facial húngara baseada em Nova York (uma das queridinhas da modelo Miranda Kerr) e adepta da tendência.

lldi começou a aplicar o óleo extraído da cannabis há alguns anos nela mesma e notou que sua pele ganhou mais viço. Acredita que com a legalização da planta, o preconceito diminuiu. “O óleo não contém nenhuma substância psicoativa. Quero apenas que minhas clientes sintam a diferença na pele”, disse ela, que produz e vende um sérum anti-idade e uma máscara noturna à base de CBD.

Benefícios do ativo

Flores, folhas, talos e até raízes podem ser usados para extrair o CBD da cannabis. Algumas marcas de cosméticos, no entanto, optam por extrair o óleo da semente do cânhamo. Segundo a britânica Jennifer Hirsch, botânica especializada em beleza da The Body Shop Internacional, além dos ômegas 3, 6 e 9, o óleo da semente é especialmente bom para hidratar a pele ressecada. “Ele regula a produção de sebo e reduz a perda de água pela epiderme, funcionando como uma armadura e protegendo contra as agressões do meio ambiente”, explica. A linha (ainda não disponível no Brasil) possui produtos como sabonetes, balm para os lábios e hidratantes.

O óleo da semente de cannabis também é matéria-prima dos produtos da Herb Essentials, grife americana lançada em 2017 e que comercializa hidratante, creme corporal, balm para lábios, perfume em óleo e até uma vela aromatizada com a erva.

Cofundadora da marca, a sueca Ulrika Karlberg ressalta as propriedades anti-inflamatórias e não comedogênicas do óleo que, segundo ela, tornam o produto ideal para o tratamento de acne. “Além de não entupir os poros, ajuda a balancear a produção de sebo”, diz Ulrika. “Essa planta é realmente incrível. Não chegamos nem perto de todo o potencial que ela tem”, acredita a empresária.

Experiência completa

Fabricantes dos produtos à base de cannabis entendem que os consumidores estão buscando um estilo de vida mais natural, algo que a “cultura da maconha” prega desde o seu auge, nos anos 1970. “Nossa linha hoje é mais relevante do que nunca para quem busca uma beleza com ativos naturais que entreguem benefícios de verdade”, acredita Georgie Brown, responsável pela categoria de banho e corpo da The Body Shop Internacional.

Não à toa, a preocupação para uma cadeia de produção sustentável é um dos principais cuidados nesse setor. “Produzimos a partir de bases vegetais, orgânicas e biodegradáveis, que, além de criar uma demanda para lavouras, geram também um impacto positivo na agricultura”, afirma David Bronner, um dos responsáveis pela Dr. Bronner’s, marca americana de cosméticos que inclui óleo das sementes da cannabis cultivada no Canadá em todos os produtos – sabonetes para corpo e barba, hidratantes corporais, xampus e lip balms.

O buzz chegou ao meeting da American Academy of Dermatology, realizado em San Diego no início do ano. No evento, a planta foi apontada como uma forte tendência no universo de “cuidados naturais com a pele”, que englobam cremes à base de extratos vegetais, orgânicos e sem conservantes.

O dermatologista Alberto Cordeiro, de São Paulo, esteve no encontro e diz que voltou interessado. “O poder antioxidante do canabidiol é realmente alto e o uso está sendo voltado para o rejuvenescimento”, afirma. Ele acredita, no entanto, que é preciso mais estudos para comprovar os benefícios. “O CBD realmente é potente, mas o resultado pode ser alcançado com outros produtos disponíveis no mercado, como o resveratrol, extraído da semente da uva”, diz o especialista.

A cosmetóloga brasileira Sandra Corazza também tem ressalvas. “A cannabis é mais uma fonte de fitoativos e deve ser considerada na nossa saúde”, afirma. “Mas, por conta da proibição da planta no Brasil, acredito que seja interessante analisar outras opções para fórmulas cosméticas”, acredita.

Cosméticos com maconha dão barato?

Não. O CBD não tem nenhum efeito psicoativo. Quando há a presença de THC, que é a substância responsável por causar efeitos entorpecentes, ela é muito pequena e não gera nenhuma sensação.

E no Brasil?

Embora a legalização da maconha já seja realidade em diversos países do mundo, o Brasil ainda está longe de chegar a um consenso. De acordo com a Anvisa, a Portaria nº 344/98 proíbe qualquer produto derivado da cannabis no Brasil.

A única exceção é a venda de medicamentos que sejam registrados no órgão e possuam no máximo 30 mg de THC por ml e 30 mg de CBD por ml – o que não inclui os cosméticos.

O uso de derivados da cannabis só pode ser feito no país após autorização prévia do governo. A discussão sobre o uso de substâncias derivadas da cannabis ainda é restrita a medicamentos e pesquisas.

*Fonte: Marie Claire

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