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CBDV pode ter papel crucial para o efeito anticonvulsivo da maconha


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A maconha tem o potencial de tratar diversas doenças, principalmente aquelas relacionadas ao sistema nervoso, tal como a epilepsia.

O canabidiol (CBD), um componente não psicoativo da maconha, tem sido apontado como o responsável pelo efeito antiepilético da planta. Porém, estudos indicam que outro fitocanabinóide, a canabidivarina (CBDV), também é elemento chave na indução deste efeito.

Em 2013, pesquisadores ingleses já haviam constatado que, ao menos em animais de laboratório, extratos de maconha ricos em CBDV apresentam efeito anticonvulsivante. Agora, um relato de caso sugere que o CBDV pode ter o mesmo efeito em humanos.

O estudo em questão foi realizado por pesquisadores italianos e relata o caso de um adolescente de 19 anos com epilepsia focal. Os médicos tentaram diversos tratamentos. Todas as opções de medicamentos antiepilépticos disponíveis foram testadas, porém, nenhum fez efeito.

(Esq.) Epilepsia generalizada: Atinge o cérebro inteiro ou grande parte dele. (Dir.) Epilepsia focal: Afeta inicialmente uma parte do cérebro, podendo ser um hemisfério ou lobo.

A seguir, na tentativa de eliminar o foco da epilepsia, os médicos optaram por remover parte do cérebro do jovem. A intervenção também não obteve sucesso e, depois da cirurgia, o paciente ainda sofria de dezenas de convulsões por dia.

Como última opção, os pais do jovem decidiram por si só tratá-lo com infusões caseiras de maconha. As flores eram fervidas em leite e a solução resultante era dada ao jovem duas vezes ao dia. É importante ressaltar que o tratamento com a maconha foi aplicado em conjunto com o tratamento farmacológico receitado pelos médicos, e que não houve substituição.

A frequência das convulsões diminuiu assim que o paciente começou a receber as infusões de maconha. Além disso, depois de alguns meses, os médicos também observaram melhora significativa das funções motora e cognitiva.

Na tentativa de verificar qual fitocanabinóide seria o responsável por tais efeitos, os pesquisadores decidiram averiguar periodicamente os níveis de Δ9-THC, CBD e CBDV no sangue do paciente. Curiosamente, quando o paciente melhorava, altas concentrações de CBDV eram detectadas em seu sangue, sugerindo que este fitocanabinóide pode desempenhar um papel crucial e contribuir para o efeito anticonvulsivo da maconha.

*Por Lia Esumi: Bióloga, MS/PhD em Psicobiologia e colaboradora no Maryjuana

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