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Uso de vapes não está associado a maior número de lesões pulmonares


Pesquisa nos Estados Unidos apontou que o uso de vapes —  com cartuchos carregados de substâncias lícitas e nem com produtos derivados da cannabis —  não está associado a um maior número de lesões pulmonares associada aos vapes, também conhecidas pelo nome de EVALI.

É a conclusão que pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale chegaram, após uma série de análises de dados da área de saúde.

Publicado no jornal Addiction, a pesquisa estimou a relação entre o total de casos de EVALI reportados por cada indivíduo com a doença nos estados norte-americanos em janeiro de 2020.

Esses valores foram comparados com as taxas pré-surto dos vapes e do uso de cannabis por adultos. Curiosamente, os resultados mostram que taxas mais altas desse hábito e o uso de maconha, entre os estados, estão associadas a menos casos de EVALI por habitante.

“Se o uso de cigarro eletrônico ou cannabis per capita impulsionou esse surto, as áreas com mais concentração desses comportamentos deveriam mostrar uma prevalência de EVALI mais alta”, comenta a professora de Yale e autora do estudo, Abigail Friedman. No entanto, a realidade se mostrou diferente e “este estudo encontra o resultado oposto”, revela a pesquisadora. Isso significa que os casos de EVALI estão relacionados menos com o uso dos cigarros eletrônicos e mais com cartuchos adulterados e ilícitos, disponíveis em determinadas regiões do país.

Inclusive, os cinco primeiros estados a legalizar a cannabis de forma recreativa — Alasca, Califórnia, Colorado, Oregon e Washington — tiveram menos de um caso de EVALI a cada 100 mil habitantes, com idades entre 12 e 64 anos.

Já os estados com maior prevalência da doença — Utah, Dakota do Norte, Minnesota, Delaware e Indiana — não é permitido o uso recreativo da substância.

Pesquisa com cigarros eletrônicos

De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, foram notificados no país mais de 2,8 mil casos da doença relacionada ao uso de vapes, sendo 68 óbitos, desde agosto de 2009.

Em fevereiro deste ano, o CDC passou a classificar, oficialmente, o acetato de vitamina E como “uma causa primária de EVALI”.

Isso porque o acetato de vitamina E é um aditivo encontrado em alguns cartuchos de vapes sem licença de produção, associado aos produtos à base de THC [substância psicoativa encontrada na cannabis].

Antes desse entendimento, o surto de EVALI desencadeou uma série de legislações estaduais e federais que restringiam as vendas de cigarros eletrônicos, inclusive a proibição temporária de todas as vendas de vapes em Massachusetts, no final de 2019. Outra leva de proibições restringiu a comercialização de cartuchos com sabores, os chamados juices.

Agora, novas evidências e outros estudos devem ressignificar o cenário norte-americano. Já que, pelo menos inicialmente, as lesões pulmonares não estão tão conectadas com o hábito, em si, e mais com o conteúdo que é absorvido.

*Fonte: Yale School of Medicine, via Canal Tech

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