Pesquisa recente da Queen’s University analisa como o uso da planta impacta o prazer sexual — especialmente entre mulheres — e indica benefícios que vão além da performance
A relação entre cannabis e sexualidade pode até parecer nebuloso à primeira vista, mas a ciência cada vez mais começa a iluminar caminhos mais objetivos (e prazerosos) sobre o tema.
Um novo estudo desenvolvido na Queen’s University, no Canadá, traz evidências de que o uso da planta está associado a níveis mais altos de desejo, excitação e satisfação sexual — com destaque especial para os dias em que a substância é consumida.
Publicado como tese de doutorado pela pesquisadora Kayla M. Mooney, o estudo teve duas etapas: a primeira contou com 547 pessoas usuárias de cannabis, que participaram de uma pesquisa online sobre motivações sexuais para o uso da planta. Já a segunda fase envolveu um diário de 28 dias preenchido por 115 participantes, comparando os dias com e sem uso de cannabis em relação ao desejo, excitação e angústia sexual.
O que motiva o uso da cannabis no sexo?
Na primeira parte da pesquisa, quase metade dos participantes relatou consumir cannabis com motivações sexuais. O objetivo mais comum era melhorar a resposta sexual — ou seja, potencializar o prazer, a conexão e a sensibilidade durante as relações.
A análise temática qualitativa revelou três principais motivos:
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Melhorar o estado mental e relaxar;
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Sentir mudanças positivas no funcionamento sexual;
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Reduzir bloqueios ou inseguranças.
E no dia a dia: o que muda com o uso?
A segunda parte do estudo acompanhou o cotidiano de usuários ao longo de quatro semanas. E os resultados foram consistentes:
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Nos dias em que houve uso de cannabis, as pessoas relataram maior desejo sexual e mais excitação.
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Mesmo em dias sem relação sexual, o desejo se manteve mais alto e a angústia relacionada ao sexo foi menor entre quem usou cannabis.
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Quem já tinha expectativas positivas sobre o efeito da planta na sexualidade relatou níveis ainda mais baixos de desconforto nesses dias.
Ou seja: tudo indica que não é só efeito placebo. Existe uma modulação real nas emoções e sensações ligadas ao sexo, pelo menos em parte das pessoas.
Psicologia, dose e limites
O estudo se baseou em modelos motivacionais de incentivo (IMMs), uma teoria psicológica que avalia como estímulos — como o uso da cannabis — se associam a recompensas esperadas, no caso, o prazer sexual.
Os dados sugerem que o efeito da planta no sexo pode ser, sim, reforçado com o tempo e com a repetição da experiência.
Vale destacar: a quantidade de cannabis usada por participante não foi analisada com precisão por falta de dados confiáveis. Também não se compararam diretamente os efeitos entre diferentes variedades ou concentrações de THC e CBD.

Efeitos maiores entre mulheres
Embora o estudo não tenha sido exclusivamente feminino, os autores destacam que os efeitos mais marcantes foram observados entre mulheres, o que reforça a percepção de que a planta pode ter um papel único na melhoria da experiência sexual feminina, especialmente em termos de excitação e redução do desconforto emocional.
Conclusão: prazer e bem-estar andam juntos
Com uma abordagem moderna, o estudo sugere que a cannabis pode representar mais do que um combustível erótico. Pode também ser uma ferramenta terapêutica em contextos sexuais, principalmente em situações de baixa libido, insegurança, ansiedade de performance ou traumas passados, desde que usada com consciência, diálogo e, sempre que possível, acompanhamento profissional.
Apesar dos achados promissores, os próprios autores alertam: mais estudos clínicos são necessários, especialmente com recortes mais diversos e controle de variáveis como dose, frequência e histórico de saúde mental.
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*Por: Redação Maryjuana




