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Será que a maconha proporciona experiências místicas?


Teístas e ateístas concordam que uma planta com uma cor tão vibrante e de aroma tão agradável só pode ter atributos divinos. Por todo o mundo, a cannabis coleciona histórias de uso ritualístico para alcançar determinado estado elevado de consciência.

As pessoas que acreditam em alguma forma de Deus atribuem a Ele a criação de tudo. Portanto, analisando deste ponto de vista, foi o Senhor que criou a maconha. Não se pode dizer que uma criação divina seja pecado. Em Gênesis 1:29, encontramos “E acrescentou Deus: ‘Eis que vos dou todas as plantas que nascem por toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes: esse será o vosso alimento!'”. Pecado é deixar de consumir algo que a natureza nos presenteia para utilizar drogas de farmácias com inúmeros efeitos colaterais.

Enquanto isso, vários relatos de experiências com a maconha revelam um mundo complexo de indivíduos unidos em uma única consciência coletiva. Um conjunto onde a mesma ideia é apenas escrita em idiomas diferentes e denominações diferentes. Você pode preferir chamá-la de Deus, energia ou, até mesmo, ciência. Mas o fato é que essa consciência coletiva descrita por Jung é acessada a partir desta planta.

Planta sagrada

Inúmeras doutrinas admitem o uso sacramental da maconha como propiciadora de estados de transe místico. Dos assírios aos astecas, vários povos fizeram uso sagrado desta planta para chegar mais perto de Deus e de suas revelações. Como o consumo de álcool era proibido por algumas religiões, seus adeptos passaram a fazer uso da cannabis, já que ela produz um estado de euforia não pecaminoso.

A Deusa egípcia Seshat, senhora dos livros e dos construtores, é representada como uma mulher vestida com uma pele de leopardo e, acima de sua cabeça, uma folha de maconha. Os antigos egípcios tinham um vasto conhecimento sobre os efeitos psíquicos da planta.

De acordo com o Xamanismo, as plantas possuem espírito. As feiticeiras da Wicca acreditam na grande Deusa, que é o espírito da natureza. Uma grande divindade que aceita a cannabis como sua legítima criação.

Na Índia, a planta é considerada sagrada e está presente em rituais religiosos. Os sacerdotes costumam cultivá-la em seus jardins. A mitologia hindu sugere que Shiva foi um grande apreciador da erva. Durante a cerimônia do Maha Shivaratri, festejada na 14ª noite de lua nova, os fiéis fumam maconha.

Segundo Graeff (1989), o povo Hindu passou a utilizar a cannabis como meio de esvaziar a mente para se conectar com Deus antes mesmo de utilizá-la como medicamento.

No Holi, o Festival das Cores, as pessoas consomem flores de cannabis. O consumo desta planta é tão sagrado que o seu uso fora do ritual é considerado pecado. Conta a lenda que Shiva criou a maconha para purificar o “elixir da vida” em sua criação. Para os cultuadores deste deus, o consumo desta planta limpa os pecados, nos une a Shiva e nos protege na vida após a morte. Uma obra milenar escrita chamada “Veda Atharva” menciona a Cannabis como uma planta sagrada.

Segundo De Félice, quem também utilizava a magia da maconha eram os Citas, que quando aspiravam a fumaça cheirosa exalada por determinadas partes da planta conseguiam estabelecer uma comunicação com os mortos. Os Citas faziam uma grande fogueira, onde queimavam maconha seca para celebrar a vida.

Paz e luz

Nahas descreveu um monge que habitava a montanha de Rama, no Oriente Médio e que afirmava que a maconha é portadora de virtudes que dissipam sombras e iluminam o espírito.

Os livros de medicina do século XIII, escritos por feiticeiros e curandeiros, prescreviam maconha para diversas enfermidades, de acordo com Costa e Gontiès. Segundo Monteiro, os índios da Amazônia a utilizavam para fazer contato com as divindades.

Na África, existiram muitos cultos, ritos e seitas centrados no uso da cannabis. O cachimbo feito de cânhamo simbolizava a paz no continente africano e do outro lado do oceano também tinha o mesmo significado para os índios americanos. Câmara Cascudo escreveu muito sobre o folclore africano, e afirmou que no Catimbó e no Candomblé, quando o trabalho era muito difícil, utilizava-se óleo de maconha para resolver o problema.

A deusa do amor Freya do antigo paganismo germânico era associada à colheita da cannabis. Acreditava-se que quem a ingerisse ganharia a força da fertilidade que as flores possuem.

Vestígios de haxixe também foram encontrados em Hallstatt, berço da cultura celta.

Os Sufis consomem maconha como forma de se conectar ao espírito. De acordo com a lenda, Haydar (monge fundador dos sufis) era uma pessoa calma, mas quando comia cannabis ficava falante e animado. “Cheio de espírito”, como afirmam seus discípulos.

Árvore da vida

Não poderíamos deixar de citar os Rastafári, que consideram a Cannabis uma planta sagrada e afirmam que a mesma é a Árvore da Vida, citada nos ensinamentos judaico-cristãos.

Todas essas crenças milenares citadas estão sendo prejudicadas por leis proibicionistas que não completaram nem 3 séculos de existência.Nosso país é muito grande e rico em diversidade. Desde a Proclamação da República, a liberdade religiosa está presente nas leis, mas está ausente da vida real. Que o diga Ras Geraldo, sacerdote Rastafári vítima da hipócrita guerra às drogas que ainda vigora no Brasil.

A liberdade religiosa é um direito absoluto que deve ser mantido a todo custo.

*Por Rodrigo Filho∴, escritor e ativista

**Foto: Navesh Chitrakar (Reuters)

  • leonardo

    Depende da mente da pessoa … não importa o lugar

  • Rodrigo

    Olha, maconha, boa, usada dentro de ritual, pode até ser sagrada e proporcionar experiências místicas. Mas o que dizer do prensadão paraguaio fumado no guardanapo no meio da praça?

    • gabriel

      cara. e voce vai permitir a proibição até quando? vendo seus colegas, amigos e amigas, parentes, fumando esta nojera? não é merecido a algum semelhante seu ter o direito de escolha pra sua liberdade? além de religiosa medicinal, alem de medicinal recreativa, pois aliás, se estamos com a cabeça a milhão, doido pra pegar uma arma e atirar em alguem(supondo) e eu pegar um beck acender e chapa, não seria uma medicina ? calmante? sei lá, eu consumo cannabis e a respeito muito, e não tolero 2 coisas, quem não sabe usa-la, e quem não a usa e comenta sobre ela de forma indevida.

      • Rodrigo

        Quem disse que eu “permito” a proibição? Se dependesse de mim nunca teria sido proibida. Calma aí, estressadinho, acho que esse teu prensadão de galho tá te fazendo mal.

    • Eduardo Trovó

      kkk verdade, cada um se vira como pode.
      Sabe como eu meus amigos chamamos esse guardanapo de seda?
      de ‘ PURE LANCHE ‘