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Sete (intermináveis) dias sem maconha


Recentemente, por motivos de força maior que não vêm ao caso, eu fui privada de consumir maconha. Não, eu não estava doente, nem presa e nem muito menos grávida – graças a Jah! Mas o fato é que fiquei completamente sem acesso à erva que estava habituada a consumir por sete dias. Sim, uma longa & interminável semana.

Eu sei que para alguns isso pode parecer nada – afinal de contas, tem gente que enfrenta secas cabulosas. Mas fazia um bom tempo – graças a Jah!² – que eu não padecia deste problema, mantendo aquela média sadia de 3 baseados na seda king size por dia. Do verde, bem dichavadinho e de preferência temperado com um haxixe ou kief, quando possível.

Usuária recreativa & medicinal há quase 15 anos, confesso que não foi fácil abrir mão dos deliciosos terpenos que tanto elevam meu espírito. Mas tampouco foi impossível ou debilitante – o que apenas comprova a tese de que a maconha não é uma substância viciante.

E aí? Como será que eu me saí nesse período em que fiquei sem fumar maconha?

Os resultados seguem abaixo:

Personalidade

Entediada e entediante. Foi mais ou menos assim que eu me senti na maior parte do período em que fiquei sem fazer uso de maconha: mais calada e introspectiva, com menos assunto e quase nenhuma vontade de interagir com seres humanos. Nota-se que, sob o efeito da erva, costumo sorrir e trocar ideia até mesmo com a alma mais carrancuda que cruzar o meu caminho.

Trabalho

Como jornalista, senti falta da inspiração que a cannabis sempre me dá na hora de escrever uma história ou descobrir pautas incríveis. Creio que um pouco desse “tédio” tenha refletido até mesmo nas matérias postadas aqui no Maryjuana durante o período, embora seja difícil precisar exatamente tal momento, graças aos muitos conteúdos produzidos com antecedência. Sem dúvida, os canabinoides fazem parte do meu processo criativo. Onde foram parar minhas boas ideias? E aquele bom humor ácido e irreverente que tanto agrada meus chapados leitores?

Atividade física

Atleta 420 & amadora por excelência, eu sempre pratiquei as mais diversas atividades físicas sob influência de maconha (corrida, natação, musculação, pole dance, dança do ventre, yoga – só para citar as mais frequentes). A cannabis – de preferência sativa, mas na falta pode ser indica mesmo – sempre foi parte integrante do meu ritual “pré-treino”, junto com uma tigela de açaí básica. Embora a erva não seja necessária para executar tais atividades – e aparentemente nem melhore o desempenho esportivo de ninguém – o fato é que, sem maconha, tudo se tornou menos lúdico. Mais chato, em suma.

Sexo

Dizem que sexo é como pizza: até quando é ruim, é bom. Mas na prática não é bem assim. Às vezes o sexo também pode ser entediante, desconcentrado e frio. Ou mais apressado – e menos roleplay. O fato é que não dá pra negar: transar chapado é muito melhor, pois aguça os sentidos e estimula a troca de energia entre os parceiros. No entanto, justiça seja feita (com as próprias mãos ou alheias): uma boa gozada sempre tem o seu valor, ainda que na caretice máxima. Mas que fez falta fumar aquela flor saborosa antes, durante & depois da trepada, ah isso fez!

Alimentação

Se você é usuário frequente de maconha e deseja emagrecer, experimente ficar sem fumar por alguns dias. Sim, o tesão pela comida diminui muito, como já podia prever qualquer um habituado à inevitável larica! Sem falar que, no meu caso, passei a dispensar a sobremesa quase que completamente neste período careta (algo inconcebível nos dias comuns, ou seja, com erva). Nota: também descobri que cozinho muito melhor chapada.

Sono

Não sou dessas pessoas que sentem sono em demasia quando fazem uso de cannabis (conheço amigos que bocejam após poucas tragadas e jamais cogitariam trabalhar depois de fumar um, por exemplo). Mesmo quando fumo as puras indicas ou participo de uma sessão de dabs insanos, o sono não é necessariamente um efeito colateral que me aflige muito. Ou seja, não senti muita diferença para dormir quando fiquei sem consumir maconha, embora tenha sentido ao despertar: depressão, muita depressão por estar diante de mais um dia de caretice.

Outras drogas

Adivinha o que acabou acontecendo nestes dias em que fiquei sem fumar maconha? Aumentei o consumo de outras drogas que normalmente não fazem parte da minha vida! E dá-lhe uma cervejinha aqui (urgh!), um vinhozinho ali, litros de chimarrão matinal e, quem sabe, uma cápsula de cafeína para substituir a Amnesia Haze pré-treino? Praticamente tudo que pode causar overdose, mas 100% legalizado (ao contrário da maconha, que não mata ninguém e segue proibida em países estúpidos como o Brasil).

Conclusão

Se é IMPOSSÍVEL ficar uma semana sem fumar maconha quando se é um usuário inveterado? Não, não é impossível. Mas tampouco é agradável ou desejável (a não ser que você tenha escolhido isso por algum motivo qualquer, o que não foi meu caso desta vez). Enfim, a melhor coisa desses sete dias sem maconha foi perceber que não foi acaso que eu elegi a erva dentre tantas outras drogas (legais ou não) que me cercam. Com a cannabis relaxo, me motivo, me inspiro e alivio minhas dores do corpo e da alma. Então, parar por quê?

E você, já ficou ou costuma passar longos períodos sem fumar maconha? Deixe sua experiência registrada nos comentários!

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